terça-feira

Eu. Você. Nós.

Eu e você. Eu e algo seu. Eu e você ao telefone. Eu e você nos sonhos. Eu e você nas cartas. Eu e você nas telas de cinema. Eu e você nas páginas de um best seller. Eu e você nos comerciais de margarina. Eu e você deitados na grama olhando para as estrelas. Eu e você andando na beira do mar. Eu e você olhando pela janela do carro em uma viajem. Eu e você abrindo a geladeira de madrugada. Eu e você tomando banho de chuva. Eu e você observando os carros passarem em uma avenida movimentada. Eu e você cantando. Eu e você sempre. Só eu e você.

E foi quando percebi que sua opinião pesava mais que a minha própria. Porque, de repente, tudo era eu e você. Tudo éramos nós, e nós éramos tudo. E eu era incapaz de respirar por minha conta, porque você estava ausente. Subitamente, eu comecei a sufocar, porque percebi que você não passava de uma ilusão. Um desejo meu. Algo banal e inexistente. Exatamente como nós éramos. Eu e você.

Motivos

Quem precisa deles? Todo mundo. Todos tem que ter um motivo para alguma coisa. A sociedade critica quem faz algo espontaneamente, julga, chama de impulsivo. Mas não. Quem faz as coisas sem motivo é esperto, uma excessão, alguém cujos pensamentos e ações não são totalmente previsíveis.

Quem faz as coisas sem motivo é retardado, sem noção e idiota. Não. Quem faz as coisas sem motivo é alternativo, fora dos padrões, não-chato.

Quem faz as coisas sem motivo é feliz. Ou pode ser, desde que queira.

E agora? Ainda acha que precisa de motivos para tudo?

segunda-feira

E então, o que acontece?

Você começa a se sentir mal, terrivelmente mal.
E o que mais?
Toda sua tristeza se transforma em raiva.
E o que mais?
Sua raiva transforma-se em lágrimas. Grandes e roliças.
E o que mais?
Você começa a chorar. Você chora de raiva.
Chora quanto?
Chora muito. Chora até sua visão escurecer e você apenas enxergar sua desgraça gravada no interior de suas pálpebras.
E o que mais?
Suas lágrimas secam e você para de chorar, apenas por conta de toda a água de seu corpo ter se esvaído em soluços agoniantes.
E o que mais?
Você se sente terrível novamente.
E o que mais?
Sua raiva volta três vezes maior do que da primeira vez.
E o que mais?
Mais? Você ainda quer mais?
E o que mais?
Mais nada. Você pode chorar, gritar, bater ou espernear, mas isso nunca passará. Sempre estará lá, nos cantos mais escuros, pronto para te atacar quando você menos espera.
E o que mais?
O mundo continua girando, dia após dia, como se nada tivesse acontecido.
E então, o que acontece?
Você morre.

sexta-feira

"Why when we do our darkest dids, do we tell? They burn in our brains, become a living hell. Cause everybody tells..." - Secret, by The Pierces*

Segredos. Esse é um tópico interessante.

Você nunca se perguntou porque todos tem segredos? Nunca quis saber porque fulana não te contou algo? Então... direi algo a vocês:

Todos temos segredos. Sem exceção. É quase humanamente impossível não ter um segredo só seu, que ninguém mais nunca nem sonhou em saber. Até mesmo os mais cara de pau/sem noção tem algo a esconder. E porque?, você deveria estar se perguntando.

Existem vários motivos. Talvez a pessoa se sinta ameaçada por algo que fez, e recusa-se de todo modo a contar para alguém, com medo de que a derrubem por causa disso.
Outras não contam simplesmente porque não conseguem, ou não encontram uma pessoa "ideal" com quem compartilhar seu segredo.

Outras, ainda, ficam de bico calado porque não querem que outros estraguem o que para elas foi tão especial, como uma fantasia louca ou uma lembrança querida.

Seja qual for o motivo, segredos são coisas muito delicadas. E na minha humilde opinião, as pessoas se importam mais do que deveriam com isso. Mas talvez essa seja a graça da coisa: se importar tanto ao ponto de ter medo. Ter medo que alguém descubra, ter medo que alguém espalhe, ter medo que te julguem como algo que você não é. E sem todos esses medos, os segredos não seriam segredos, seriam apenas fatos omitidos, como por exemplo o que eu jantei ontem. Pode ser que ninguém saiba, mas isso nunca foi e nem nunca será um segredo.

*Porque quando realizamos nossos atos mais obscuros, nós contamos? Queimam em nossos cérebros, se tornando um inferno. Porque todos contam...

terça-feira

Devilish smiles

Minha vida era tediosa. Tediosa e chata. Ok, não era tediosa nem chata, mas faltava alguma coisa. Algo que só fui perceber que faltava quando entrou em seu lugar. Porque quando o conheci... o mundo a minha volta ganhou mais vida. De repente, parecia quase insano me sentir entediada e chata. Bom, exceto quando estava sozinha.

Seus sorrisos gentis, sua timidez em excesso, sua educação exagerada... tudo me fisgou rapidamente. Era impossível não ser afetada pelos seus encantos, seu charme, seu perfume. Era quase como um feitiço, que se arrasta por seu corpo, acariciando, enrolando. E, quando você menos espera, te sufoca com sua fumaça turquesa.

Ele era assim. Charmoso e bom quando estava por perto, cruel e maquiavélico a distância. Exatamente como o diabo. E agora o diabo sorria para mim, apenas para mim.

Eu estava abestalhada demais para perceber que seus sorrisos galanteadores, sua sensibilidade e sua compreensão para comigo eram forjadas, tudo parte de seu plano maligno de me derrubar. Me derrubar pelo simples prazer de me ver no chão, humilhada e incapaz de levantar novamente.

E eu só fui perceber isso quando já estava trancada no inferno.

segunda-feira

O Rei não tem orelha

Uma vez, me contaram uma história, a de um Rei que não tinha uma de suas orelhas. Era mais ou menos assim:

"Era uma vez um Rei, que guardava um segredo de todos a sua volta. Isso o torturava. Não pelo fato de guardar um segredo deles em si, mas sim o fato de não poder contar para absolutamente ninguém. Isso arruinaria totalmente sua imagem de Rei, era o que ele pensava.

Todos os dias, ao acordar pela manhã, a primeira coisa que ele fazia era pentear seus cabelos compridos e colocar sua coroa. E não era porque ele tinha um ego gigante que ele fazia isso, veja bem. Mas era para esconder suas orelhas - ou, no caso, apenas uma.

Ele fazia isso há anos, mas sempre esperando que, do nada, surgisse alguém para quem ele pudesse contar isso, alguém que não iria julgá-lo. Mas, claro, naquele reino de pessoas esnobes e hipócritas, nenhuma daquele tipo aparecia. E conforme os anos passavam, a agonia do Rei crescia. Como assim, ele era Rei e não podia ter uma orelha a menos? Ele ficava menos qualificado para o cargo apenas por causa disso?

As pessoas provavelmente achariam que sim, e isso o enlouquecia. Isso o deixava tão chateado que um dia - ou melhor, uma madrugada - ele levantou-se de sua cama e caminhou nas pontas dos pés para fora de seu castelo. Continuou andando sorrateiramente, no escuro, para a área mais deserta de seu reino, onde ele tinha certeza que ninguém o notaria naquela hora da noite.

O Rei então parou. Ajoelhou-se na terra e começou a cavar, cavar e cavar, até ter um buraco relativamente fundo. Abaixando-se ainda mais, gritou para dentro do buraco:

- EU NÃO TENHO ORELHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

E, depois disso, voltou a jogar terra no buraco, tapando-o para sempre. Ao voltar para seu castelo, o Rei se sentia leve e estúpido. Porque nunca tinha feito aquilo antes? O simples fato de haver a possibilidade de alguém no mundo saber que o Rei não tinha orelha... para ele, foi extremamente relaxante. Ele não carregava mais uma mentira sobre si mesmo em seus ombros, porque ele havia falado a verdade para alguém - ou alguma coisa, no caso"

E, ok, talvez seja uma história infantil besta. E talvez a minha versão tenha ficado horrível. Mas... se pararmos para pensar, algumas lições de moral podem ser aprendidas. E preciso dizer que essa história já me ajudou, então... acho que todos deviam dar uma chance a ela, porque é realmente muito boa. E cá entre nós, algumas pessoas realmente precisam seguir o exemplo do Rei.

domingo

Primeiro devaneio

Às vezes, a vida é uma merda. Quem nunca teve um dia de fúria? Aqueles dias em que se tem vontade de quebrar tudo, foder com a vida dos outros, só para ter o prazer de vê-los mais na merda que você.

Bom, isso é mesmo uma coisa horrível. Ou deveria ser. Mas... quem nunca fez isso, ou ao menos pensou em algo desse gênero, não é humano.

Não importa quanto você tente não se importar, uma hora, alguma coisa há de fazer você explodir.

Você pode até mesmo tentar fazer vista grossa sobre tudo, adotar uma atitude totalmente blasé para certas coisas... mas a junção disso tudo seria algo como bombas TNT e um detonador nas mãos de um bebê: a qualquer hora tudo pode voar pelos ares em uma explosão mega trágica.

Ou seja, no fim, todos são apenas idiotas que só fazem coisas idiotas que resultam em coisas mais idiotas ainda. E isso dá raiva. Muita raiva.

Mas talvez, e apenas talvez... seja isso que faça com que os bons momentos sejam realmente bons - o fato de haver uma briga entre duas pessoas às vezes pode tornar a reconciliação melhor. Afinal de contas, brigas geram saudades, e saudades, querendo ou não, geram admiração.

E, cá entre nós, não há nada melhor do que rever uma pessoa muito querida depois de um longo período de espera. Processe-me se eu estiver errada.

PS: momento tenso no post de estreia. Aquela espectativa de "será que alguém vai ler essa porra?" rolando no ar... ai ai, nada como começar algo novo, não é mesmo?