quinta-feira

Texto by Jesse

Já percebeu que tem muitas coisas contra a gente? E que mesmo tentando, nada vai voltar para o seu lugar.

E, de verdade, se a gente for levar isso a sério, vamos ter que superar a saudade e não ouvir o que os outros falam. Aproveitar ao máximo os momentos juntos e não desistir por pouco.

Vou precisar de você, vou precisar saber que você está certo do que quer. Saber que você está comigo, poder contar com você.

E você comigo.

terça-feira

Tudo para você, seja quem for

Às vezes me vejo falando coisas que nunca achei que falaria, só para te agradar. Coisas como frases engenhosas para você pensar que sou inteligente, tiradas sarcásticas para você perceber que eu tenho sim algum tipo de senso de humor... várias coisas.

Coisas que simplesmente saem de mim, quando estou falando com você. E que fique bem claro que você pode ser qualquer um, desde que eu sinta a necessidade de lhe agradar, de passar a imagem de boa pessoa perante seus olhos que julgam cada movimento de meus dedos batucando neste teclado.

Na verdade, estou fazendo isso escondida de você, porque sei que se você me visse falando essas coisas, me olharia com aquele olhar reprovador que só você tem. Aquele olhar que faz eu me sentir um lixo, mesmo que a lógica me diga que eu não sou, nunca fui e nem nunca serei.

Escondo meus erros, dou a volta por cima quando falo algo que quero - mas que não precisa necessariamente ser dito - e quebro a cara na frente de vários só para você não me achar idiota.

Mas eu cansei. Cansei de ser essa merda de atriz o tempo todo, que não pode sair da linha por medo de levar tapas e chutes e pontapés. Cansei de ser o que todos querem que eu seja, cansei de empurrar sempre para o fundo os meus desejos, as minhas necessidades.

E, acredite, meu amigo... eu sei como isso tudo é muito clichê. A menininha que tenta ser perfeita para agradar aos pais ou quem quer que seja. Mas... sendo clichê ou não, a verdade é que isso é um inferno. Um inferno cujo qual estou tendo a oportunidade de tentar sair, após anos e mais anos de aprisionamento.

Inferno cujo qual você supervisiona, a cada dia inventando novas artimanhas para me manter em cativeiro, presa, sem saber como e para onde fugir. Mas agora eu sei. Sei como, sei quando e sei que ninguém pode me impedir. Ninguém pode me impedir se eu estiver decidida a fugir, isso eu garanto.

Podem me amordaçar e me arrastar para o canto mais fundo deste purgatório, podem me torturar até eu ficar completamente louca, mas eu sei que, de um jeito todo errado, eu serei livre. Pelo menos em minha mente. E enquanto eu souber disso, está tudo bem.

Se eu precisar pular de um prédio de 69 andares para me sentir livre, que seja. Tudo que basta é coragem. Tudo que preciso é tê-la. Eu tenho? Não, mas gostaria. Você tem? Provavelmente não, ainda que adore fingir que tem. No fundo, sei que todos somos covardes, frangos fugindo do abate.

Queria que as coisas não precisassem ser assim, mas a triste verdade é que elas são. E é nesse momento que recorro ao meu lado camaleão, para me adaptar, mesclar e esconder em qualquer tipo de ambiente. Até neste inferno aonde estou presa.

segunda-feira

Sinto muito, você

Eu gostava de você, gostava mesmo. Ou pelo menos achava que gostava. Na verdade, eu até cheguei a pensar que te amava. E talvez eu amasse mesmo, só que de outro jeito.

Outro jeito porque percebi que, de repente, tudo havia mudado, estávamos invertidos. De repente, eu não era mais a boba apaixonada, nunca tinha sido. De repente, o bobo apaixonado era você.

Me senti bem, pelo menos no começo, que era quando eu pensava que também te amava, quando na realidade estava confundindo admiração com adoração, paixão. Foi a partir daí que tudo mudou de vez.

De repente, parecia errado. Eu sentia como se fosse extremamente errado você ser apaixonado por mim. Foi quando começou. Foi quando começou o nosso fim.

Eu estava com medo, tudo era novo para mim e eu não tinha ideia do que devia ou queria fazer. Comecei a ser rude, a te tratar mal, tentando de todos os jeitos fazer você parar. Parar de ser apaixonado por mim.

Não consegui. Só consegui te afastar e te magoar por causa disso. E novamente fui rude quando você tentou entender, preocupado comigo. Te magoei mais uma vez, mas com tamanha intensidade que você nunca mais falou comigo.

Só queria poder te abraçar, dizer que sinto muito e fazer tudo voltar a ser como antes.

E, mais do que tudo, queria poder lhe dizer que sinto sua falta. Muito. Gostaria de ser capaz de fazer isso, fazer tudo ser certo outra vez.

Mas sei que não sou, e isso dói. Dói porque percebo que preciso te esquecer, superar. O que, veja bem, não é um problema tão grande, afinal eu havia descoberto que não gostava tanto assim de você.

O problema é que eu não posso te esquecer e deixar as coisas como estão entre nós. Preciso concertar. Mas você não deixa. Por quê?

domingo

Evolução

Aprender comigo mesma.
Entender sobre mim.
Descobrir dentro de mim.
Mas eu quero saber tudo isso?
Quero mudar. Isso eu quero, aprender e crescer.
Ser melhor do que sou agora. Mas essa é a hora?
Não, já passou da hora.
Vou conseguir?
Não, eu tenho que conseguir. É diferente.
Mesmo?
Espero realmente que sim, que no meio dessa enorme confusão que mora em mim, eu finalmente consiga achar o que quero.

by Jesse

sexta-feira

Necessidades

Conselho de amiga, abraço de mãe, atitude de irmão, palavras de pai, provérbios de velho, gesto de afinidade, jeito de amado, conversas simpáticas com desconhecidos, apoio de pessoas próximas, manias familiares, imagens reconfortantes, frases conhecidas, sons repetidos, palavras já faladas, sensações quentes, toques confortáveis, músicas inteligentes, livros acolhedores, perguntas suaves, respostas gentis, dores esquecidas, boas memórias, ausência de medo, coragem para enfrentar tudo, muitos companheiros a sua volta, tempo de sobra, clima agradável, paisagem fabulosa, companhias extraordinárias, muitas estrelas no céu escuro, luz da lua cheia, voz de uma Deusa, magia da terra, sabores doces, bebidas saborosas, textura leve, pelos macios, rugidos calorosos, brisa calma, cheiros impregnantes e personalidades compatíveis.

Em um mundo perfeito, o meu mundo, tudo isso existiria sempre e ninguém nunca teria nenhum problema, pois tudo seria perfeito.

Em um mundo perfeito, o meu mundo, tristeza nunca teria vez, todos seríamos especialmente felizes e não teríamos nenhum tipo de preocupação, pois tudo seria perfeito.

Em um mundo perfeito, o meu mundo, acidentes não ocorreriam e não haveria lugar para arrependimentos, pois tudo seria perfeito.

Em um mundo perfeito, o meu mundo, toda a negatividade seria absorvida e todos se sentiriam bem o tempo todo, pois tudo seria perfeito.

Em um mundo perfeito, o meu mundo, sorrir seria lei e lágrimas motivo de cadeia, pois tudo seria perfeito.

O único problema é que cheguei a conclusão de que...

Perfeição irrita.

quinta-feira

Parte Três

A moeda finalmente parou de girar e caiu com um barulho oco no fundo de seu crânio. Obviamente, a moeda caiu com a cara voltada para cima. Ele não chegou de fato a notar, mas quem controlava cada giro da moeda era ele.

imediatamente ele se pôs a andar mais rápido, tentando a todo o custo não fazer absolutamente nenhum ruído, para não chamar a atenção da garota até que fosse estritamente necessário.

Mas o que ele não sabia era que sua preocupação era totalmente dispensável. Não era como se, ao vê-lo seguindo-a, ela faria algo. Quero dizer, ela não podia fazer alguma coisa, podia? Isso era algo que nem ela poderia saber.

Quase como se ela fosse uma marionete, algo maior que ela a forçou a parar subitamente, surpresa consigo mesma de porque, exatamente, parara de caminhar antes de chegar ao seu destino final, como sempre fazia.

Destino. Estava aí uma palavra que a fazia se sentir estranha. Era quase como se uma memória muito antiga tentasse emergir, mas não era capaz de flutuar até a superfície de sua mente. Déjà-vu. Ela se lembrava de uma vez terem dito a ela que essa palavra traduzia essa sensação, de uma familiaridade estranha. E, por mais que ela se esforçasse, não conseguia formar uma imagen para tal sensação, não conseguia tirar algum sentido da cosia toda.

Mas foi só ela se virar que de repente tudo pareceu certo, nos eixos novamente. De repente, ela não se sentia mais tão louca por andar todo dia de manhã na praia, porque acabara de achar o que estava procurando, mesmo que antes de ver a coisa ela ainda não se achava louca e nem sabia que estava de fato procurando algo. É aquele tipo de coisa que você só nota quando já acabou.

E qual era a coisa que ela estava procurando, afinal?, você deve estar querendo perguntar. E, caso ainda não tenha ficado óbvio, eu tenho o prazer de dizer a resposta. A coisa que ela estava procurando era ele. E, finalmente, ela o encontrou.

Ele parecia em choque, mas ela sorriu para ele, sem conseguir se conter. Aos poucos, a expressão tensa dele foi se desfazendo, relaxando-se em um lindo sorriso torto e tímido. Ela derreteu por dentro. E ele também. De repente, ela sabia. Sabia que era aquilo que ela precisava. Sabia que era aquilo que ela precisava para se sentir viva novamente.

sábado

Pessoas

Existem quatro tipos de pessoas no mundo.

1) Aquela que está no mesmo nível que você, que entende tudo o que você diz sem de fato precisar dizer alguma coisa. Aquele tipo de pessoa que quando você pensa em algo, ela já está dizendo a mesma coisa. A pessoa que é chamada de sua igual.

2) Aquela que está sempre um nível espiritual acima de você, a que sempre te ensina algo, sempre tem algo a dizer até nos piores momentos, sempre lhe passando algum tipo de mensagem.

3) Aquela que está sempre um nível espiritual abaixo de você. É o tipo de pessoa que pode ser classificada como seu discípulo, pois ela é quem aprende de você. Você, nesse caso, seria o tipo de pessoa um nível espiritual acima dela.

4) O tipo que sempre te aporrinha, espeta, provoca e machuca. O tipo que sempre quer te apunhalar pelas costas, te empurrar de um precipício, construir armadilhas para você cair a cada passo que tenta dar.

Mas, bom, confesso que todo mundo já foi um tipo de pessoa, pelo menos por um tempo. E você. Que tipo de pessoa você é hoje?

terça-feira

Parte Dois

A garota, entretanto, não pareceu perceber que havia alguém seguindo seus passos. Sorriu quando algumas gaivotas passaram pelo horizonte, desejando ser tão livre quanto eles pareciam ser.

O que ela não sabia, é claro, é que ela já era. E, aparentemente, quem estava incumbido de mostrá-la este fato, era ele. Ele, cujo nome nunca me foi revelado. Ou, melhor, foi, mas não sinto a necessidade de compartilhá-lo com vocês. Afinal, como um bom amigo meu uma vez me disse, nomes não são importantes.

Ele debatia consigo mesmo, sem conseguir se decidir se apressava-se mais para falar com a garota ou se continuava no mesmo ritmo, para não ser descoberto.

Por alguns minutos conflitantes, ele não conseguiu se decidir, apenas deixando-se levar e continuando a seguir a garota, sem nunca perder de vista a areia sob seus pés, que deixavam apenas uma trilha de pegadas, quando na verdade duas pessoas estava caminhando.

Ele estava ficando com medo. Com medo de que, considerando que a cada segundo que se passava, ficava mais e mais tarde naquela manhã de quinta feira. O dia estava se tornando cada vez mais perigoso, pois a qualquer momento as pessoas que saem de casa cedo hão de notar que aquela linda garota a caminhar na praia... não era exatamente uma garota.

Exatamente isso. Como, pensariam eles, ela pode ser uma garota normal se ela não deixa pegadas na areia? As pessoas que vissem isso poderiam ser separadas em dois grupos deiferentes, baseados em suas reações:

Grupo A: dos estressados e mentalmente fatigados, que pensariam que aquelas xícaras e mais xícaras de café drenadas ao longo do dia não estava cumprindo direto seu propósito de manter o sono longe. Eles pensariam que suas mentes estariam pregando peças em seus olhos, mostrando - ou, no caso, ocultando - coisas que eram impossíveis de serem vistas - ou, no caso, não serem vistas.

Grupo B: formado pelos racionais-porém-não-tão-racionais-assim, que logo inventariam uma explicação absurda para um fato absurdo.

Quando ele separou algumas pessoas imaginárias em tais grupos, foi quase como se uma moeda aparecesse do nada dentro de seu crânio. Se desse cara, ele se aproximaria da garota e a protegeria dos dois grupos de pessoas, de algum modo.

Se desse coroa... bom, ele tecnicamente ficaria exatamente aonde estava, seguindo-a a distância. Mas ele sabia que isso seria impossível, simplesmente ficar parado, de longe, caso alguém a notasse e ameaçasse fazer algo a ela. Ele simplesmente partiria para cima da pessoa, defendendo a garota sem pegadas com unhas e dentes, mesmo ela sendo uma total desconhecida.

Uma agonia momentânea sugou todos seus instintos e pensamentos quando a moeda girava cada vez mais rápido, agora em queda livre em direção ao fundo de seu crânio, que era o limite. A moeda cairia ali e mostraria a resposta a ele, mostraria o caminho que ele deveria seguir. Porque, claro, a moeda não poderia ficar caindo para sempre. Isso o deixaria completamente louco, ele tinha certeza.

E foi pensando nisso que ele descobriu seu destino. A moeda parou de rodar com um baque surdo, quase como se o interior da cabeça dele fosse feito de veludo negro. Uma luz vinda sabe-se lá de onde brilhava em cima da moeda de prata, mostrando sua resposta. E ele... bom, ele logo seguiu as instruções da moeda.