terça-feira

Sem título VI

Nunca te compreendi, seus jeitos e maneiras. O modo como você sempre parece estar sob tortura.

Você me esconde coisas e isso me confunde, pois sempre achei que confiasse em mim. O bastante para me contar, pelo menos.

Mais confuso ainda? O jeito como me diz tão firmemente que eu sei de tudo o que acontece. Será que realmente sei? Nem fodendo. Você não deixa.

Ou talvez o que você diga é verdade, mas então não faria o menor sentido ter uma posição tão martirizada o tempo todo. A não ser que você não seja forte, seja mariquinha. Mas sei que você não é.

Então... porque não deixa eu me envolver? Talvez eu possa te ajudar a acabar com todo o sofrimento, afinal.

Ou talvez não, talvez você tenha tomado a decisão certa em se esconder de mim. Talvez a culpa seja apenas minha. Peço desculpas, então. Me perdoa?

A não ser que você goste disso tudo, seja tão masoquista a ponto de viver atolada na merda até os joelhos e gostar da sensação...

quinta-feira

Sem título V

Medo.
Medo de me foder.
Medo de amar.
Medo de me arriscar.

O que tenho a perder...
não é muito.
Isso devia me dar coragem,c erto?
Não sei. Supostamente, talvez.

Largo as coisas,
desisto fácil.
Não era assim.
Não sei quando mudou.

Preciso de ajuda,
mas não quero pedir.
Tenho medo de me expor.
Medo de não mais poder me esconder.

Me sinto estúpida.
Infantil e assustada.
Há muito parei de ter
a confiança que finjo existir.

Tento esquecer.
Deixar de lado e seguir em frente.
Não me perder,
no meio de tanta gente.

Mas já me perdi.
Fui forçada a isso.
Quando começaram a me esquecer
e não havia mais nada que pudesse fazer.

segunda-feira

Sem título IV

Na geladeira da linda menina havia um pedaço de papel preso com um ímã de arco-iris. Era uma lista das coisas que ela tinha para fazer no dia. Entregaram essa lista para seu suposto melhor amigo quando encontraram-na morta. O garoto imediatamente se sentiu terrivelmente culpado. Rasgou a lista em um milhão de pedaços, mas dois segundos depois desejou não ter feito isso. Essa era a última lembrança que ele jamais teria dela. Por mais que fosse dolorida, era uma lembrança. E lembranças não podem ser jogadas ao vento, aos cuidados do primeiro que as recolher na sarjeta.

Com lágrimas escorrendo por todo seu rosto, caiu de quatro no chão. Mal conseguindo enxergar através da neblina que suas lágrimas formavam, se colocou a remontar a lista. Demorou horas. Pode-se dizer que ele estava realmente desesperado, tremendo, e isso não ajudava em nada a encontrar uma ordem naquelas pecinhas de um quebra-cabeças que precisava ser montado imediatamente, para não correr o risco de ser destruído. Ou pior: esquecido.

Depois de remontar toda a lista, o garoto correu para buscar uma nova folha de papel e um tubo de cola. Com o maior cuidado do mundo, colou pedaço por pedaço da lista na nova folha. Um pedaço de seu coração ficava junto com cada parte da lista, que logo recebeu uma nova estrutura. Ainda com os olhos marejados, recortou a lista do novo papel, seguindo cuidadosamente as bordas do papel original. Ele não queria deixar absolutamente nada de fora.

Rumou até sua cozinha, aonde prendeu a lista da garota em sua geladeira, com o mesmo ímã de arco-iris. Conseguiu até sorrir, mesmo que fosse um sorriso feio, miserável, distorcido pela perda.

Dia após dia, porém, olhava para aquela lista e se lembrava de algum bom momento vivido com a autora dela. Dia após dia, por anos, gastava alguns segundos, alguns preciosos segundos, lembrando-se dela. Dia após dia, sentia sua falta e uma dor lancinante lhe atravessava o peito. Dia após dia, lembrava-se do momento em que lhe contaram a triste notícia. Dia após dia, sentia-se culpado. Dia após dia, desejava poder ter feito algumas coisas diferentes. Dia após dia, desejava ter sido mais presente. Dia após dia, dia após dia, dia após dia.

- Comprar leite
- Ligar p/ Lucy
- Devolver filmes, LOGO!!!
- Ligar p/ mamãe
- Comprar presente do Theo
- Sumir do mundo, para sempre

PS: mas nunca do coração daqueles que se importaram comigo

Sem título III

Eu não quero precisar de você do jeito como preciso. Isso é ruim, me faz mal. Porque agora, sempre que estou sozinha, sinto medo. Sinto falta de sua presença, mesmo que apenas parte dela. Não quero isso. Quero poder ficar sozinha novamente, quero que volte a ser como era antes, quando ficar sozinha podia ser algo divertido. Só dependia de mim.

Agora... ficar sozinha virou tortura - e rotina. Me sinto pressionada pelo universo a fazer coisas das quais não gosto, só para acabar com a sensação de vazio. Porque isso acontece, afinal? É normal se sentir tão amargurada, tão largada no mundo? É normal sentir como se não houvesse mais de um quarto de dúzia de pessoas no mundo que te amam?

Não sei. E tenho medo de saber, acho. Quer dizer, e se eu descobrir que nada disso é normal, que eu sou mais errada do que jamais imaginei ser possível? Me chamem de dramática, mas se sentir como merda 24 horas por dia não é exatamente agradável.

É meio humilhante escrever isso aqui agora e sempre foi humilhante pensar nisso antes. E, claro, sempre será humilhante pensar nisso depois, porque sei que vou pensar nisso depois.

Enfim. É humilhante porque me faz parecer fraca, como se eu não pudesse dar conta de certas coisas. E, acredite, para uma pessoa tão orgulhosa quanto eu, isso pode ser um empecilho e tanto. Então eu tento. Tento deixar quieto, ficar de bom humor, fazer coisas legais, falar com pessoas. Tento esquecer, mudar, não deixar isso me abater.

Mas ultimamente todos os meus esforços parecem se tornar inúteis a partir do momento que saem da minha mente, para ser algo concreto. E ai eu me pego sendo repetida, redundante, escrevendo vezes e mais vezes sobre a mesma droga de assunto. Passo dias e mais dias na frente da tela do computador, lendo frases depressivas, ouvindo músicas miseráveis, me sentindo a ponto de explodir em um milhão de lágrimas com filmes de comédia.

Como isso é possível? Quero dizer... não é como se eu fosse uma pobrezinha dos infernos, que não tem nada. Eu tenho. E reconheço isso. Mas não é suficiente. Talvez não seja suficiente porque o que eu esteja procurando não é necessariamente material. Não pode ser tocado, não pode ser visto, pode apenas ser sentido. Mas em uma pessoa como eu, tecnicamente classificada como desgraçada-insensível-do-coração-peludo, é basicamente impossível encontrar coisas apenas sentindo-as.

Certo?

terça-feira

Nostalgia + felicidade = WTF

É possível se sentir feliz e nostálgico ao mesmo tempo? Porque, se for, eu estou totalmente nessa agora.

Feliz por estar nostálgica por ter estado feliz. Faz sentido? Imagino que não muito. Deixe-me explicar melhor...

Sabe quando você está em uma maratona de miséria e então algo muito bom acontece e te deixa irritantemente feliz? Mesmo que apenas por alguns poucos segundos...

Então. Você finalmente encontrou seu lugar, encontrou o lugar aonde ninguém te julga ou critica ou o que quer que seja.

A partir desse ponto você se sente extremamente feliz ou, no mínimo, alegre por ter achado um lugar ao qual você pertence, se encaixa perfeitamente, sem nenhum tipo de rebarba.

Mas a única coisa ruim é que você sabe que isso tem prazo de validade, uma hora previamente estipulada para acabar tudo, para você voltar para a miséria.

Porém, você não quer voltar para a miséria. Você se recusa eternamente a esquecer da felicidade toda que vivenciou ainda há pouco. Daí a nostalgia.

Não sei vocês, mas eu sou do tipo que acredita que nostalgia pode ser sentida a qualquer momento, sobre qualquer coisa, e não precisa necessariamente ser ruim.

segunda-feira

Sem título II

Ela: Nós somos melhores amigos, certo?
Ele: Sim, claro.
Ela: Então seja honesto comigo, de quem você gosta?
Ele: Ninguém. Eu amo alguém.
Ela: Ela é mesmo muito sortuda…
Ele: Definitivamente. Eu a amei desde a primeira vez que a encontrei.
Ela: Serio? Bem, desde que nós somos melhores amigos, eu quero conhece-la. Vá chama-la.
Ele: Tudo bem…
O garoto pega o telefone e disca um número..
Ela: Espere, eu acho que estou recebendo uma chamada.
A garota atende o telefone...
Ela: Alô?
Ele: Eu te amo.

Fonte

quinta-feira

Possibilidades

Talvez eu não queira ser diferente de todos o tempo todo. Talvez eu goste de, às vezes, ter algo em comum com alguém. Talvez eu queira fazer coisas que pessoas ordinárias fazem. Talvez eu queira sentir o que pessoas ordinárias sentem. Talvez eu não queira ser a estranha o tempo todo. Talvez eu só queira me misturar. Talvez eu não queira ser constantemente notada. Talvez eu só queira ser comum por um tempo. Talvez eu só queira me esconder entre os outros, de vez em quando. Talvez eu só queira brincar de ser um camaleão. Talvez eu queira que vocês me deixem fazer tudo isso. Talvez eu queira que vocês me deixem ser tudo isso. Talvez eu só queira parar de me importar. Definitivamente.

quarta-feira

Duas caras

Você disse que eu era sua melhor amiga, uma das pessoas mais importantes para você. Eu acreditei. E eu te disse o mesmo. Você era meu melhor amigo e era uma das pessoas mais importantes para mim.

Nos divertimos loucamente, fazendo de tudo um pouco. Brincadeiras, inocentes e nem tão inocentes assim. Conversas sérias. Papo jogado fora. Ainda que minha vontade fosse te abraçar, deitarmos juntos em minha cama para conversarmos ou simplesmente ficarmos em silêncio juntos. Segurar a sua mão. Engoli todas essas vontades, porque você estava comigo, sempre comigo. E me convenci de que era o suficiente.

Você me fez acreditar que você me amava. Você me fez acreditar que eu era uma pessoa querida. Você me fez acreditar que era feliz. Não sei quando isso mudou. Só sei que, quando olhei de novo, você não estava ao meu lado e eu sentia sua falta. Sentia um vento frio e estranho perto de mim, aonde você costumava ficar quando assistíamos televisão ou víamos vídeos retardados na internet.

De repente, você não estava mais lá e a solidão começou, lentamente. Como um veneno cruel, desativando parte por parte, lentamente corroendo o que restava da sua presença em mim.

Quando estamos só você e eu, você diz que sente a minha falta. Conversa comigo, assite televisão comigo, vê vídeos retardados na internet comigo. Me conta de seu dia. Ainda sinto vontade de te abraçar, deitar com você, segurar a sua mão. Quando estamos só nós dois, você se importa. Ou pelo menos me faz acreditar nisso.

Mas quando estamos em público... você sequer dirige seu olhar em minha direção. E isso machuca. Te procuro. Você olha nos meus olhos através de uma multidão, longe demais para eu poder ouvir as coisas que saem da sua boca. Mas sem dúvida nenhuma elas não são para mim. Não mais. Pelo menos, não em público. Não aonde todos podem ver que você, com todo seu status, realmente gosta de uma garota como eu. Uma derrotada.

terça-feira

Je t'aime

Uma vez me disseram "não se preocupe, vai ficar tudo bem". E eu acreditei. Na época, um alívio me percorreu. Alguém, mais experiente que eu, dizendo que tudo ficaria bem... não tinha como não acreditar, era muito improvável que isso fosse uma mentira.

Hoje em dia, essa frase não funciona mais. Hoje em dia, são apenas palavras vazias, sem nenhum tipo de significado quando colocadas lado a lado em uma frase.

O mesmo acontece com o famoso "eu te amo", dito tantas e tantas vezes sem a certeza sencessária. Não me conformo com a felicidade fingida dessas pessoas quando ouvem essas palavras de plástico.

Não estou dizendo que é errado dizer "não se preocupe, vai ficar tudo bem" ou "eu te amo". Só estou dizendo para você ficar quieto, até ter certeza de que vai ficar tudo bem e de que o que você sente por algo é mesmo amor.

Faça sua boa ação do dia e não iluda as pessoas com quem você convive. Ou seja um completo idiota e iluda mesmo assim. A escolha é sua. E as consequências também.

Ensaio

Sua felicidade me irrita, sua miséria me entristece
Ping-pong emocional
Não sei como reagir, como me sentir
Quando você me mostra os seus sentimentos
Felicidade mútua?
Difícil
Tristeza concomitante?
Várias vezes
Não gosto, mas sou obrigada a conviver
Não me atrapalha, só me deixa confusa
Não era para sermos os melhores amigos do mundo?
Supostamente
Mas, ultimamente, não acredito muito nisso
E desconfio que você também não
E então, como ficamos?
Continuamos fingindo que não sabemos?
Ou, de nós dois, só eu sei?
Talvez
Como faço para saber se você também sabe?
Não gosto de não saber
Me sinto deixada de lado
Não pode, é errado
Eu e você, sempre juntos
Esse é o certo
Sempre juntos, para sempre
Possível, mas improvável
Não posso crer que nosso relacionamento foi feito para durar
Sem esperanças
Sem expectativas
Sem porra nenhuma
Nunca.

segunda-feira

Amor além do tempo

"Corremos um atrás do outro de volta até a casa. Nós... recomeçamos. Na casa toda. Acabamos voltando para as almofadas perto do fogo. O desejo é uma fonte renovável. Não conseguimos dar nem receber o bastante. É um círculo. Não tem fim. Vocês se amam. Dissemos 'eu te amo'. Muitas vezes. Dissemos, cantamos, sussurramos, gritamos. Então um de nós insistiu para calarmos a boca, e calamos. Nós nos comunicamos de outros modos; eu conseguia entender os batimentos cardíacos dele, ler as veias dele como um mapa. E ele os meus. E ele as minhas."

by Nina Malkin em "Swoon - amor além do tempo", pág. 356

domingo

You broke another mirror

Diana se olhava no espelho mas, ao contrário do óbvio, não era o seu reflexo que via. Era de Joe. O reflexo de Joe, o sujeito que a fazia arfar de emoção só ficando parado na frente dela, com as mãos no bolso.

- Miserável - cuspiu, para o espelho.
- Mesmo? Acho que é ao contrário. A miserável aqui é você - rebateu Reflexo-Joe, sorrindo.
- Porque você diria algo assim?
- Vamos lá. Ambos sabemos o que aconteceu. Não adianta se enganar, tentar se livrar dessa culpa.
- Eu...
- Não adianta fazer um milhão de outras boas ações, elas não vão compensar o que você fez.
- Não? - indagou, os olhos começando a ficar úmidos.
- Não - retrucou Reflexo-Joe, seco.

Diana encarou o espelho, observando Reflexo-Joe com certo pesar, como se o tivesse perdido há muito.

- Mas você me perdeu - Reflexo-Joe respondeu seus pensamentos.
- Quando? - indagou Diana. - Quando... exatamente?
- Você sabe - retrucou, um sorriso de escárnio brincando em seus lábios.
- Eu sei?
- Sim. Lá no fundo, você sabe. Só precisa admitir para si mesma. Simples.
- Não é tão simples assim.
- Oh, mas é tão simples assim.

Diana respirou fundo, tentando conter a avalanche de lágrimas e soluços que ela sabia que estava por vir.

Reflexo-Joe mudou, de repente. Se isso fosse possível, sua aura estaria emanando um ar de pena através do espelho que os separava. Seus olhos castanhos, da cor de um tronco de pinheiro, encheram-se de compaixão por aquela figura que um dia partira seu coração.

- Você sabe que eu ainda lhe amo - sussurrou ele, tocando o espelho.

Diana colocou sua mão sobre a dele, fechando os olhos e frustrando-se intensamente quando sentiu o espelho frio debaixo de seus dedos, ao invés do calor familiar da pele bronzeada de Joe.

- Sinto muito - declarou ela, depois de algum tempo. - Sinto muito por ter te decepcionado.

Finalmente abriu os olhos. A única coisa que foi capaz de enchergar antes de debulhar-se em outro rio de lágrimas, foi que Reflexo-Joe não estava mais no espelho. Ele a havia abandonado. Para sempre.

Exatamente como ela tinha feito com ele antes.

sábado

Sem título

Sinto saudades da minha infância, quando minha maior preocupação era se eu conseguiria ir no balanço no intervalo na escola. Mas isso mudou, de um modo muito repentino, e muito cedo. Cedo demais para uma criança.

Amadureci bastante depois disso. Não que eu quisesse, veja bem... fui forçada a isso. E perdi muitas coisas, por ter amadurecido tão de repente, tão cedo. Sou assim até hoje.

As coisas foram se perdendo no espaço a medida que o tempo foi passando. Perdi minhas companhias mais importantes, roupas, brinquedos, animais de estimação. As coisas começaram a ficar mais sérias quando eu perdi a moradia, o bairro, a escola. Perdi amigos, perdi professores, perdi lugares, perdi manias.

Começar tudo de novo... não foi fácil. Às vezes me pego pensando "como estaria eu hoje se nada disso tivesse acontecido?". Dependendo do dia, penso que estou melhor hoje do que estaria se nada tivesse acontecido. Em outros dias, penso que de outro modo tudo teria saido extremamente diferente, melhor.

Porém, o fato é que aconteceu. E sou hoje como sou, por causa de tudo que aconteceu no passado, cada companhia perdida, cada oportunidade desperdiçada.

Saudades? Muita. Gostaria de ter mantido contato com todos os meus colegas "de berço", gostaria de estar ao lado deles até hoje. Como também gostaria de trazer de volta duas pessoas, com uma terceira vindo de brinde.

Essa terceira pessoa... nós tivemos uma boa relação, um dia. Há muito tempo, conversávamos intimamente - bom, tão intimamente quanto duas crianças de seis e nove anos são capazes. Hoje em dia? Mal nos cumprimentamos e, quando isso acontece, são só em festas de família.

Família. Todos são estranhos, para mim. Primos? Pessoas distantes, presenças desfiguradas. Personalidades desconhecidas. Tias, tios? Estranhos, também. E aí só me sobram pai e mãe, para com os quais já dei muita mancada.

No geral, sou só eu. Eu e minha própria companhia, tentando métodos de diversão independentes, que não precisem de mais ninguém. Funcionam? Por um tempo, talvez. Mas logo a coisa perde a graça, e eu só desejo ter alguém. Mesmo que seja para ficar olhando para o teto.

E, é, não um simples alguém, também. Um alguém que me conhece talvez até mais que eu mesma, alguém que saiba conversar comigo, alguém que saiba me apoiar, quando necessário. Alguém que me escute, me leve a sério. Alguém em quem eu confie a minha vida, de olhos fechados, sem hesitar.

Esse alguém ainda não me apareceu. Mas, sabe, cansei de ser só eu mesma, por minha própria conta. Eu uso uma máscara todos os dias, fazendo as pessoas acreditarem que sou completamente auto-suficiente, que, se eu tiver alguém, uau, que bom. Mas, também, se não tiver, que se foda, posso me virar sozinha.

E posso mesmo. Mas não quero. Não quero porque não tem graça, desse jeito. É horrível não ter com quem compartilhar seus medos e segredos, por mais retardados que eles sejam. É simplesmente horrível, ter um pedaço de papel como seu amigo mais íntimo... O único cujo qual ouvirá seus segredos sem te julgar de nenhuma maneira.

Não mereço mais que isso? Às vezes, penso que não. Mas, sinceramente, não sei quais são os motivos para me punirem de tal forma. Não fiz nada tão ruim assim, fiz? Porque, se fiz, preciso saber o que foi. Pelo menos isso.

Penso em sair da cidade, do estado, do país, do continente... mas penso se não me sentiria ainda mais sozinha, sem nada familiar por perto. Mas acontece que, por aqui, o que é familiar já não me satisfaz mais. Não é suficiente para arrancar um sorriso verdadeiro de mim. Não mais.

E eu cansei de sentir pena de mim mesma. Cansei de ficar sozinha o tempo todo. Cansei de admirar - invejar - pessoas que não tem ninguém e são felizes mesmo assim. Cansei de procurar. Cansei de esperar. Cansei de precisar. Cansei de ter uma multidão de desconhecidos a minha volta, rodeada por milhões de pessoas mas, ainda assim, completamente sozinha. Cansei.

terça-feira

Perfeição

Cabelos pretos, olhos azuis acinzentados, traços fortes, maxilar bem marcado. Nariz reto, arrogante. Sorriso maroto, versátil. Bochechas rosadas, pele pálida, estatura média, corpo magro.

Barba mal feita, desalinhada. Sombrancelhas expressivas, mãos firmes, gestos vastos, pensamentos definidos. Cabelo espetado, revoltado. Atitudes decididas, riso envolvente, palavras seletivas, voz sedutora.

Abraço forte, acolhedor. Conversa inteligente, criação educada, estilo desafiador, humor rude. Preocupação rara, mas intensa. Bom gosto musical, péssimo senso para com os outros, fobia da sociedade, humor negro.

Sádico, mas só um pouco. Carinhoso, controlado, cozinheiro, certo. Viciante, completamente. Obsessivo, perfeccionista, exigente, rígido. Doce, suave. Jeito duvidoso, não-dançarino, habilidoso com os dedos, impressionante.

Meu, só meu. Divertido, silencioso, companheiro, melhor amigo. Irmão, em alguns casos. Sensual, trapaceiro, vingativo, possessivo. Meu, só meu.

Nunca mentiroso, nunca desinteressado, nunca entediado, nunca chato. Não comigo, pelo menos. Culto, sério, sarcástico, indomado. Meu, só meu.

Família, amigo, salvador, protetor. Tudo, em uma pessoa só. Estável, imprevisível, rápido, devagar. Atraente, em vários sentidos. Meu, meu, meu, meu. Meu, só meu.

Só meu.

segunda-feira

Alguém

Eu quero alguém para brincar com meu cabelo e desenhar círculos nas minhas costas.
Eu quero alguém para me enrolar em dias frios e chuvosos.
Eu quero alguém para beijar minha testa suavemente.
Eu quero alguém para brincar de imaginar comigo.
Eu quero alguém para me dizer que sou fofa.
Eu quero alguém para segurar a minha mão.
Eu quero alguém para me provocar.
Eu quero alguém para abraçar.
Eu quero alguém.

Jamais

Confiar e amar são palavras inteligentes. São capazes de resolver muita coisa, mudar muito. Tudo.

São fortes e com significados maiores ainda. Não podem ser só da boca para fora, e sim do coração. Da verdade.

Não importa o tempo em que foram conjugadas, ainda vão ter o mesmo significado. Não minta e nunca as coloque em lugares errados, em frases mal feitas.

Jamais.

by Jesse

Amor

Um dia senti que ia morrer
Exatamente no dia em que você
Disse que me amava e era mentira
Queria te dizer
Que te amo de verdade
E acho que nunca dei motivo
Para que você não me amasse
Bote a mão
Na consciência e veja o que você
Está fazendo
Acabando com um coração que só te quer bem
Fica comigo até o fim das duas
Não quero viver sem você
Um só minuto
Você é a razão do meu viver
Me sinto só, mas sei que levo você no pensamento
Te amo para todo o sempre

by Jesse

domingo

Não volta mais

Engraçado. Havia muito tempo que ele não se sentia assim, como se algo estivesse faltando no seu dia-a-dia. Mais engraçado ainda era que ele não sabia o que exatamente estava faltando.

Ficou incomodado. Em um lapso de insanidade, levantou-se de sua confortável cama, pegando seu travesseiro e um cobertor. Sem saber direito aonde estava indo com tudo aquilo, deixou seus pés lhe guiarem pelo apartamento luxuoso, que fora presente de seu tio. Acabou na espaçosa varanda, que era toda mobiliada e tal. Ele, particularmente, achava tudo aquilo um grande desperdício de dinheiro, pois não precisava de todos aqueles móveis em excesso.

Empurrou tudo para um canto qualquer e extendeu o cobertor no chão, perto das grades que o impediriam de cair edifício abaixo. Deitou-se ali, de barriga para cima, e se pôs a observar a noite estrelada. Era difícil, pois as luzes acesas da cidade atrapalhavam o caminho que o brilho das estrelas tentava traçar.

Essa era uma coisa que ele definitivamente sentia falta. Ao se mudar para este apartamento, anos antes, morava longe da cidade grande. Quase no meio do mato, sozinho. Morava com seu irmão, mas ele virou um pé no saco depois que se casou e se mudou para a Bélgica com sua nova esposa dondoca.

Ele franziu o nariz com o pensamento, quase como se a esposa de seu irmão fosse mal cheirosa. O que, metaforicamente falando, ela era. Ela fora capaz de afastá-lo da pessoa que mais amara durante toda a sua vida. Ela fora capaz de afastá-lo de seu irmão mais velho, que era tudo para ele: pai, amigo, irmão e, às vezes, até inimigo.

Ele sentia falta de ver as estrelas e de seu irmão. Eram duas coisas que faziam uma extrema falta nos dias de hoje. Não que os dias de hoje fossem ruins, veja bem. Ele conseguiu se acertar, tudo bem. Mas, ao pensar em como tudo era antes... era simplesmente impossível negar que não queria voltar no tempo, por pelo menos um dia. Ele sentia falta de sentir aquilo tudo, sentia falta de estar ali.

Talvez ele pudesse viajar para algum lugar deserto e ligar para seu irmão no dia seguinte. Seria capaz de ver as estrelas e tudo o mais. Mas ele sabia que não seria como antes, nunca mais. Aqueles dias há muito se perderam no passado.

Fechou os olhos, sentindo uma brisa repentina brincar com seus cabelos escuros, levando-os para longe. Suspirou, aproveitando a situação até o último momento. Assim que aquilo acabou, começou aquele sentimento novamente. Aquele sentimento de que nunca mais aconteceria aquilo de novo, não daquele jeito. Ele sabia que tinha que aceitar isso como verdade, abaixar a cabeça e seguir em frente. E era exatamente o que vinha fazendo há muito tempo, mesmo que inconscientemente. Mas as memórias daqueles dias nunca iriam sumir, isso também era algo que... o mundo precisava aceitar como verdade.

Naquele instante, ele se permitiu fechar os olhos e sonhar com tudo aquilo, com o que tudo aquilo representava para ele. Apenas um dia. Apenas um dia e tudo voltaria a seus eixos novamente, a nostalgia iria embora e ele tornaria os dias de hoje tão bons quanto os de antigamente foram. É. Ele faria isso.

Can we match?

Eu nunca quis muitas coisas... ou, talvez, até possa ter querido, mas nunca nada tão importante como o que lhe peço agora.

E que raios você está me pedindo?, você deve estar se perguntando. E... bom, eu nada mais lhe peço do que sua ilustre presença ao meu lado.

Tudo o que eu quero, o que eu realmente quero, é que você fique ao meu lado. Sem ser pegajoso demais, grudento demais, preocupado demais. Quero que você seja meu melhor amigo, meu confidente, minha caixinha de segredos. E, mais do que tudo, quero que você entenda o que eu precise sem eu realmente precisar falar alguma coisa.

Quero que você seja minha cara-metade, minha alma gêmea, meu correspondente. Não quero, necessariamente, que você me ame como sua, pelo menos não naquele sentido... Apenas quero que você me ame. Seja como amiga, vizinha ou empregada. O que for.

Não quero que você fique preso à mim, do mesmo modo que não quero ser dependente de você. Pelo menos, não totalmente. Preciso que você seja um pouco preso a mim, mas na medida certa. Apenas para garantir que você sempre estará ao meu lado, não importa o que aconteça.

Se um dia você vier a me odiar, peço gentilmente que, ainda assim, não tente me esquecer, não me coloque de lado e, mesmo que não me perdoe, me ajude a ser uma pessoa melhor para os próximos. Pode manter em mente, se quiser, que o quanto mais rápido você me ajudar, mais rápido se verá livre de mim.

Tanto faz, na verdade, desde que você me ajude. Eu posso enganar a mim mesma, construir um mundo de ilusões aonde você ainda se importará comigo. Mas espero que nunca cheguemos a este ponto.

Espero que isso nunca aconteça, que você goste de mim e eu de você. Espero te encontrar na próxima vez que eu virar aquela esquina e, quando nos encontrarmos, possamos conversar, nos conhecer, ler o outro por completo.

Posso ter um zilhão e meio de conhecidos, mas, se você não existir, ainda assim vou me sentir sozinha. Você não entende como eu preciso de você? Você não pode entender que eu preciso te encontrar? Você não pode entender que essa obsessão em te procurar não me faz nada bem?

Queria que você aparecesse detrás de uma árvore, rindo às minhas custas, dizendo que foi tudo brincadeira. Queria poder, então, te dar um tapa no ombro e dizer para nunca mais se esconder de mim desse jeito. Você riria e passaria um braço por trás de meus ombros e, assim, andaríamos para algum lugar. Você seria meu e eu seria sua. Em vários sentidos.

Contraste

Fred encarava aquele quarto sem realmente acreditar em nada do que via.

Ele viu o par de botas jogado de qualquer maneira no chão, uma peça única, preta e Prada, com laços - o par favorito de Rebecca. O sutiã de renda preta se destacava contra o carpete creme, assim como a calcinha pequena, ambos retorcidos, ambos aparentando terem sido tirados às pressas. Perto da janela jazia o sobretudo que ele mesmo comprara para Rebecca. Além das peças familiares, Fred notou, havia também uma boxer branca sobre o criado-mudo na cor tabaco, se destacando de tal jeito que era impossível não perceber sua presença ali. A presença de mais alguém.

Ao olhar para a cama de casal e ver seus lençóis brancos amassados, Fred sentiu vontade. Ele sequer sabia que vontade era essa, ele só queria fazer alguma coisa que não fosse olhar aqueles dois corpos inertes. Rebecca tinha seus cabelos loiros espalhados pelo peito branco do cara que Fred não fazia ideia de quem era. Os dois estavam nus, com o lençol indo até a cintura. Estavam abraçados! Como Fred pediu - implorou! - para Rebecca deixar que ele a abraçasse e ela nunca permitiu.
Os dedos que seguravam a caneca de café quente começaram a tremer, agitando o líquido. Rebecca sempre foi correta demais - até mesmo para deixar as roupas jogadas no chão daquela maneira -, Fred nunca imaginou que ela o trairia. Não daquela maneira tão descarada, não em plena tarde de sexta-feira, não na sua própria cama.

A raiva tomou conta da face sempre calma de Fred e ele não pensou duas vezes antes de jogar a caneca de louça contra o espelho grande ao lado da cama. O casal acordou, num supetão, os dois assustados. Rebecca levou o lençol até o ombro, numa tentativa falha de se proteger. Ela já estava perdida.

Fred encarou os dois. Encarou o espelho quebrado e os cacos da caneca, o café maculando o carpete. Encarou Rebecca, com seus olhos castanhos esbugalhados e o queixo tremendo. Deu alguns passos, até chegar perto da cabeceira da cama. Encarou o outro homem e, fechando o punho direito, desferiu um soco no nariz dele, antes de gritar:

- Ela é minha!

by Drih

quarta-feira

Sem título

Você me fez sentir como eu sempre quis me sentir.
Você me fez sorrir como eu sempre quis sorrir.
Você me fez cantar como eu sempre quis cantar.
Você me fez correr como eu sempre quis correr.

Corri para longe, mas com você ao meu lado.
Corri com você, te levando comigo.
Corri sozinha, guiando seu caminho.
Corri atrás te você, te seguindo.

Segui você pelo labirinto de rosas pretas.
Segui você pela cidade movimentada.
Segui você por entre as pessoas que nos cercavam.
Segui você até o inferno.

No inferno, te mimei.
No inferno, te admirei.
No inferno, te adorei.
No inferno, te amei.

Amor... algo indefinido.
Amor... algo quente.
Amor... algo cheio.
Amor... não é para ser experenciado quando se está sozinho.

Solidão... me persegue.
Solidão... me assombra.
Solidão... me amaldiçoa.
Solidão... me transforma.

Me transforma em algo dolorido.
Me transforma em algo ruim.
Me transforma em algo deprimente.
Me transforma em paranoica.

E sou tudo isso até hoje.

Metamorfose

Mude. Mude o que você era, e o que você foi.
Mude o que não aconteceu e o que ainda vai acontecer.
Mude o que falou, e pense no que vai falar.
Mude o que pensou, e naquilo que vai atuar.
Mude o que fez, o que pretende fazer.
Mude o que sonhou, mas não desista dele.
Mude o caminho, mas escolha um melhor.
Por fim, mude de nome e fuja.
Nunca fique no mesmo lugar por muito tempo.

by Jesse

quinta-feira

Texto by Jesse

Já percebeu que tem muitas coisas contra a gente? E que mesmo tentando, nada vai voltar para o seu lugar.

E, de verdade, se a gente for levar isso a sério, vamos ter que superar a saudade e não ouvir o que os outros falam. Aproveitar ao máximo os momentos juntos e não desistir por pouco.

Vou precisar de você, vou precisar saber que você está certo do que quer. Saber que você está comigo, poder contar com você.

E você comigo.

terça-feira

Tudo para você, seja quem for

Às vezes me vejo falando coisas que nunca achei que falaria, só para te agradar. Coisas como frases engenhosas para você pensar que sou inteligente, tiradas sarcásticas para você perceber que eu tenho sim algum tipo de senso de humor... várias coisas.

Coisas que simplesmente saem de mim, quando estou falando com você. E que fique bem claro que você pode ser qualquer um, desde que eu sinta a necessidade de lhe agradar, de passar a imagem de boa pessoa perante seus olhos que julgam cada movimento de meus dedos batucando neste teclado.

Na verdade, estou fazendo isso escondida de você, porque sei que se você me visse falando essas coisas, me olharia com aquele olhar reprovador que só você tem. Aquele olhar que faz eu me sentir um lixo, mesmo que a lógica me diga que eu não sou, nunca fui e nem nunca serei.

Escondo meus erros, dou a volta por cima quando falo algo que quero - mas que não precisa necessariamente ser dito - e quebro a cara na frente de vários só para você não me achar idiota.

Mas eu cansei. Cansei de ser essa merda de atriz o tempo todo, que não pode sair da linha por medo de levar tapas e chutes e pontapés. Cansei de ser o que todos querem que eu seja, cansei de empurrar sempre para o fundo os meus desejos, as minhas necessidades.

E, acredite, meu amigo... eu sei como isso tudo é muito clichê. A menininha que tenta ser perfeita para agradar aos pais ou quem quer que seja. Mas... sendo clichê ou não, a verdade é que isso é um inferno. Um inferno cujo qual estou tendo a oportunidade de tentar sair, após anos e mais anos de aprisionamento.

Inferno cujo qual você supervisiona, a cada dia inventando novas artimanhas para me manter em cativeiro, presa, sem saber como e para onde fugir. Mas agora eu sei. Sei como, sei quando e sei que ninguém pode me impedir. Ninguém pode me impedir se eu estiver decidida a fugir, isso eu garanto.

Podem me amordaçar e me arrastar para o canto mais fundo deste purgatório, podem me torturar até eu ficar completamente louca, mas eu sei que, de um jeito todo errado, eu serei livre. Pelo menos em minha mente. E enquanto eu souber disso, está tudo bem.

Se eu precisar pular de um prédio de 69 andares para me sentir livre, que seja. Tudo que basta é coragem. Tudo que preciso é tê-la. Eu tenho? Não, mas gostaria. Você tem? Provavelmente não, ainda que adore fingir que tem. No fundo, sei que todos somos covardes, frangos fugindo do abate.

Queria que as coisas não precisassem ser assim, mas a triste verdade é que elas são. E é nesse momento que recorro ao meu lado camaleão, para me adaptar, mesclar e esconder em qualquer tipo de ambiente. Até neste inferno aonde estou presa.

segunda-feira

Sinto muito, você

Eu gostava de você, gostava mesmo. Ou pelo menos achava que gostava. Na verdade, eu até cheguei a pensar que te amava. E talvez eu amasse mesmo, só que de outro jeito.

Outro jeito porque percebi que, de repente, tudo havia mudado, estávamos invertidos. De repente, eu não era mais a boba apaixonada, nunca tinha sido. De repente, o bobo apaixonado era você.

Me senti bem, pelo menos no começo, que era quando eu pensava que também te amava, quando na realidade estava confundindo admiração com adoração, paixão. Foi a partir daí que tudo mudou de vez.

De repente, parecia errado. Eu sentia como se fosse extremamente errado você ser apaixonado por mim. Foi quando começou. Foi quando começou o nosso fim.

Eu estava com medo, tudo era novo para mim e eu não tinha ideia do que devia ou queria fazer. Comecei a ser rude, a te tratar mal, tentando de todos os jeitos fazer você parar. Parar de ser apaixonado por mim.

Não consegui. Só consegui te afastar e te magoar por causa disso. E novamente fui rude quando você tentou entender, preocupado comigo. Te magoei mais uma vez, mas com tamanha intensidade que você nunca mais falou comigo.

Só queria poder te abraçar, dizer que sinto muito e fazer tudo voltar a ser como antes.

E, mais do que tudo, queria poder lhe dizer que sinto sua falta. Muito. Gostaria de ser capaz de fazer isso, fazer tudo ser certo outra vez.

Mas sei que não sou, e isso dói. Dói porque percebo que preciso te esquecer, superar. O que, veja bem, não é um problema tão grande, afinal eu havia descoberto que não gostava tanto assim de você.

O problema é que eu não posso te esquecer e deixar as coisas como estão entre nós. Preciso concertar. Mas você não deixa. Por quê?

domingo

Evolução

Aprender comigo mesma.
Entender sobre mim.
Descobrir dentro de mim.
Mas eu quero saber tudo isso?
Quero mudar. Isso eu quero, aprender e crescer.
Ser melhor do que sou agora. Mas essa é a hora?
Não, já passou da hora.
Vou conseguir?
Não, eu tenho que conseguir. É diferente.
Mesmo?
Espero realmente que sim, que no meio dessa enorme confusão que mora em mim, eu finalmente consiga achar o que quero.

by Jesse

sexta-feira

Necessidades

Conselho de amiga, abraço de mãe, atitude de irmão, palavras de pai, provérbios de velho, gesto de afinidade, jeito de amado, conversas simpáticas com desconhecidos, apoio de pessoas próximas, manias familiares, imagens reconfortantes, frases conhecidas, sons repetidos, palavras já faladas, sensações quentes, toques confortáveis, músicas inteligentes, livros acolhedores, perguntas suaves, respostas gentis, dores esquecidas, boas memórias, ausência de medo, coragem para enfrentar tudo, muitos companheiros a sua volta, tempo de sobra, clima agradável, paisagem fabulosa, companhias extraordinárias, muitas estrelas no céu escuro, luz da lua cheia, voz de uma Deusa, magia da terra, sabores doces, bebidas saborosas, textura leve, pelos macios, rugidos calorosos, brisa calma, cheiros impregnantes e personalidades compatíveis.

Em um mundo perfeito, o meu mundo, tudo isso existiria sempre e ninguém nunca teria nenhum problema, pois tudo seria perfeito.

Em um mundo perfeito, o meu mundo, tristeza nunca teria vez, todos seríamos especialmente felizes e não teríamos nenhum tipo de preocupação, pois tudo seria perfeito.

Em um mundo perfeito, o meu mundo, acidentes não ocorreriam e não haveria lugar para arrependimentos, pois tudo seria perfeito.

Em um mundo perfeito, o meu mundo, toda a negatividade seria absorvida e todos se sentiriam bem o tempo todo, pois tudo seria perfeito.

Em um mundo perfeito, o meu mundo, sorrir seria lei e lágrimas motivo de cadeia, pois tudo seria perfeito.

O único problema é que cheguei a conclusão de que...

Perfeição irrita.

quinta-feira

Parte Três

A moeda finalmente parou de girar e caiu com um barulho oco no fundo de seu crânio. Obviamente, a moeda caiu com a cara voltada para cima. Ele não chegou de fato a notar, mas quem controlava cada giro da moeda era ele.

imediatamente ele se pôs a andar mais rápido, tentando a todo o custo não fazer absolutamente nenhum ruído, para não chamar a atenção da garota até que fosse estritamente necessário.

Mas o que ele não sabia era que sua preocupação era totalmente dispensável. Não era como se, ao vê-lo seguindo-a, ela faria algo. Quero dizer, ela não podia fazer alguma coisa, podia? Isso era algo que nem ela poderia saber.

Quase como se ela fosse uma marionete, algo maior que ela a forçou a parar subitamente, surpresa consigo mesma de porque, exatamente, parara de caminhar antes de chegar ao seu destino final, como sempre fazia.

Destino. Estava aí uma palavra que a fazia se sentir estranha. Era quase como se uma memória muito antiga tentasse emergir, mas não era capaz de flutuar até a superfície de sua mente. Déjà-vu. Ela se lembrava de uma vez terem dito a ela que essa palavra traduzia essa sensação, de uma familiaridade estranha. E, por mais que ela se esforçasse, não conseguia formar uma imagen para tal sensação, não conseguia tirar algum sentido da cosia toda.

Mas foi só ela se virar que de repente tudo pareceu certo, nos eixos novamente. De repente, ela não se sentia mais tão louca por andar todo dia de manhã na praia, porque acabara de achar o que estava procurando, mesmo que antes de ver a coisa ela ainda não se achava louca e nem sabia que estava de fato procurando algo. É aquele tipo de coisa que você só nota quando já acabou.

E qual era a coisa que ela estava procurando, afinal?, você deve estar querendo perguntar. E, caso ainda não tenha ficado óbvio, eu tenho o prazer de dizer a resposta. A coisa que ela estava procurando era ele. E, finalmente, ela o encontrou.

Ele parecia em choque, mas ela sorriu para ele, sem conseguir se conter. Aos poucos, a expressão tensa dele foi se desfazendo, relaxando-se em um lindo sorriso torto e tímido. Ela derreteu por dentro. E ele também. De repente, ela sabia. Sabia que era aquilo que ela precisava. Sabia que era aquilo que ela precisava para se sentir viva novamente.

sábado

Pessoas

Existem quatro tipos de pessoas no mundo.

1) Aquela que está no mesmo nível que você, que entende tudo o que você diz sem de fato precisar dizer alguma coisa. Aquele tipo de pessoa que quando você pensa em algo, ela já está dizendo a mesma coisa. A pessoa que é chamada de sua igual.

2) Aquela que está sempre um nível espiritual acima de você, a que sempre te ensina algo, sempre tem algo a dizer até nos piores momentos, sempre lhe passando algum tipo de mensagem.

3) Aquela que está sempre um nível espiritual abaixo de você. É o tipo de pessoa que pode ser classificada como seu discípulo, pois ela é quem aprende de você. Você, nesse caso, seria o tipo de pessoa um nível espiritual acima dela.

4) O tipo que sempre te aporrinha, espeta, provoca e machuca. O tipo que sempre quer te apunhalar pelas costas, te empurrar de um precipício, construir armadilhas para você cair a cada passo que tenta dar.

Mas, bom, confesso que todo mundo já foi um tipo de pessoa, pelo menos por um tempo. E você. Que tipo de pessoa você é hoje?

terça-feira

Parte Dois

A garota, entretanto, não pareceu perceber que havia alguém seguindo seus passos. Sorriu quando algumas gaivotas passaram pelo horizonte, desejando ser tão livre quanto eles pareciam ser.

O que ela não sabia, é claro, é que ela já era. E, aparentemente, quem estava incumbido de mostrá-la este fato, era ele. Ele, cujo nome nunca me foi revelado. Ou, melhor, foi, mas não sinto a necessidade de compartilhá-lo com vocês. Afinal, como um bom amigo meu uma vez me disse, nomes não são importantes.

Ele debatia consigo mesmo, sem conseguir se decidir se apressava-se mais para falar com a garota ou se continuava no mesmo ritmo, para não ser descoberto.

Por alguns minutos conflitantes, ele não conseguiu se decidir, apenas deixando-se levar e continuando a seguir a garota, sem nunca perder de vista a areia sob seus pés, que deixavam apenas uma trilha de pegadas, quando na verdade duas pessoas estava caminhando.

Ele estava ficando com medo. Com medo de que, considerando que a cada segundo que se passava, ficava mais e mais tarde naquela manhã de quinta feira. O dia estava se tornando cada vez mais perigoso, pois a qualquer momento as pessoas que saem de casa cedo hão de notar que aquela linda garota a caminhar na praia... não era exatamente uma garota.

Exatamente isso. Como, pensariam eles, ela pode ser uma garota normal se ela não deixa pegadas na areia? As pessoas que vissem isso poderiam ser separadas em dois grupos deiferentes, baseados em suas reações:

Grupo A: dos estressados e mentalmente fatigados, que pensariam que aquelas xícaras e mais xícaras de café drenadas ao longo do dia não estava cumprindo direto seu propósito de manter o sono longe. Eles pensariam que suas mentes estariam pregando peças em seus olhos, mostrando - ou, no caso, ocultando - coisas que eram impossíveis de serem vistas - ou, no caso, não serem vistas.

Grupo B: formado pelos racionais-porém-não-tão-racionais-assim, que logo inventariam uma explicação absurda para um fato absurdo.

Quando ele separou algumas pessoas imaginárias em tais grupos, foi quase como se uma moeda aparecesse do nada dentro de seu crânio. Se desse cara, ele se aproximaria da garota e a protegeria dos dois grupos de pessoas, de algum modo.

Se desse coroa... bom, ele tecnicamente ficaria exatamente aonde estava, seguindo-a a distância. Mas ele sabia que isso seria impossível, simplesmente ficar parado, de longe, caso alguém a notasse e ameaçasse fazer algo a ela. Ele simplesmente partiria para cima da pessoa, defendendo a garota sem pegadas com unhas e dentes, mesmo ela sendo uma total desconhecida.

Uma agonia momentânea sugou todos seus instintos e pensamentos quando a moeda girava cada vez mais rápido, agora em queda livre em direção ao fundo de seu crânio, que era o limite. A moeda cairia ali e mostraria a resposta a ele, mostraria o caminho que ele deveria seguir. Porque, claro, a moeda não poderia ficar caindo para sempre. Isso o deixaria completamente louco, ele tinha certeza.

E foi pensando nisso que ele descobriu seu destino. A moeda parou de rodar com um baque surdo, quase como se o interior da cabeça dele fosse feito de veludo negro. Uma luz vinda sabe-se lá de onde brilhava em cima da moeda de prata, mostrando sua resposta. E ele... bom, ele logo seguiu as instruções da moeda.

quarta-feira

Parte um

Antes mesmo do amanhecer, Nina já estava fora da cama. Vestida com o vestido branco mais leve que conseguiu encontrar em seu armário, abriu a janela e saiu de seu quarto, no segundo andar.

Sorte. Ela tinha sorte por bem na frente da janela de seu quarto ter uma árvore que era fácil de ser escalada. Ainda apoiada no peitoril, fechou a janela e desceu até o chão, aonde seus pés descalços traçaram uma trilha já intimamente conhecida até a praia.

Naquela hora a praia estava deserta, ela sabia disso. E era justamente por isso que ela estava indo exatamente para lá, exatamente naquela hora. Era quase como se uma força cósmica a acordasse todos os dias, naquele mesmo horário, e a puxasse para fora da cama, em direção à praia, aonde ela iria andar por exatos 5km, virar à esquerda, virar a esquerda de novo e andar novamente exatamente 5km, até a janela de seu quarto, aonde escalaria a árvore novamente e se recolocaria na cama, aonde voltaria a dormir.

Era uma rotina bizarra, sim, e ela ainda não sabia exatamente porque fazia isso todos os dias, todos os meses, todos os anos. Tudo que ela sabia, era que não se importava. A caminhada era tão relaxante quanto um banho quente após uma chuva pesada em Chicago poderia ser.

Quando chegou à praia, posicionou-se no lugar de sempre, na beira da água, e andou em linha reta. Seus passos eram tão suaves e leves que não produziam nenhum tipo de ruído. E, curiosamente, também não deixavam nenhuma pegada para trás, mas ela parecia nunca ter notado isso.

Ainda que ele tenha notado. Havia um mês ele havia descoberto essa garota misteriosa, que andava pela praia todos os dias exatamente quando o sol estava nascendo. Seu cabelo preto, comprido e ondulado reluzia tons misteriosos de azul quando os primeiros raios de luz atingiam-na.

Mas essa não era a única luz que ele, Josh, podia ver. Mesmo quando as manhãs eram nubladas, não deixando os raios de sol penetrarem através das nuvens até atingierm o cabelo preto da garota, ele via uma luz. Uma luz prateada, que, curiosamente, irradiava dela.

Ela se afastava, sua cmainhada em ritmo constante. E, pela primeira vez desde que começara a observá-la, ele se moveu. Saiu de seu esconderijo e andou cautelosamente agtrás dela, desejando que seus passos fossem tão silenciosos quanto os da garota à sua frente.

segunda-feira

Almost

Sentada na areia, Katherine tinha uma boa visão do horizonte a sua frente. O céu estava claro, porém uma onda de neblina cobria o topo dos prédios e deixava o clima dali mais frio.

Não tinha ninguém ao lado dela, e isso era bom. Na verdade, não tinha ninguém ali, apenas ela. Ela e a imensidão azul que se estendia à sua frente.

Com os braços cruzados em torno dos joelhos, os cabelos soltos e revoltados ao vento... ela pensava. O único som que ela conseguia captar era o de ocasionais gaivotas pairando acima de sua cabeça.

Mas isso só servia para deixar o cenário ainda mais bonito. Quase perfeito. Quase. Algo estava faltando. Algo minúsculo, mas talvez o mais importante da coisa toda. O que faltava? Um pedaço de seu coração, que há muito tempo se queboru em milhões de pedaços que se espalharam pelo mundo.

domingo

Garoto do Trem

Olhos azuis, cabelo preto, estatura mediana. Voz não muito grossa, não muito fina. Risada musical, gestos intrigantes, manias fascinantes. Se chama Garoto do Trem, tem 1* anos, trabalha com *****.

Ao seu lado, uma Garota do Trem. Observo seus atos perto dele, do Garoto do Trem. Tento, assim, descobrir o que eles são. Um casal? Bons amigos? Apenas conhecidos? Não sei. É difícil descobrir.

A conversa deles é casual, pelo que percebo. O Garoto do Trem conta para a Garota do Trem de como seu pai fica quando está bravo. O Garoto do Trem imita seu pai e a Garota do Trem ri. Sua risada não é musical, como a do Garoto do TRem. É só alta e irritante, quase histérica.

Percebo que ela tenta impressionar o Garoto do Trem. O Garoto do Trem é mais alto que a Garota do Trem, então quando ela olha para ele, de baixo, olha através da grossa franja de cílios escuros que cobrem seus olhos orientais. Ao meu ver, o Garoto do Trem não se incomoda o suficiente para ao menos notar o que a Garota do Trem está tentando fazer.

Percebo, então, que o Garoto do Trem e a Garota do Trem não são nada. Nada de mais, quero dizer. A Garota do Trem é tão importante para o Garoto do Trem como um papel amassado de chiclete é importante para um exevutivo que o guarda em seu bolso pelo simples fato de que esqueceu de jogá-lo fora.

Aproveito para observar ainda mais o Garoto do Trem, notar todos os seus atributos. Minha lista mental de pontos positivos cresce à medida que o observo atentamente, prestanto atenção no que ele diz e em como seus lábios se movimentam ao fazê-lo. É simplesmente hipnotizante.

Seus olhos azuis claros, beirando o cinza, encontram os meus por alguns segundos e nos encaramos. Vagamente noto que ele parou de falar no meio de uma frase, simplesmente para olhar para a Garota do Trem 2 que tanto o olha (que, caso não esteja tão óbvio como pensei, sou eu).

Nestes breves segundos, travamos uma longa conversa apenas com nossos olhares. Até que a minha estação chega e eu preciso descer. Descer e andar para longe do Garoto do Trem. Para sempre.

Me levanto e corto nosso intenso contato visual, caminhando até as portas que acabaram de se abrir. Olho para trás uma única vez, antes das portas se fecharem novamente. Quando o faço, nossos olhares se cruzam novamente. O meu e o do Garoto do Trem. E naquela despedida muda, fica claro que nos encontraremos novamente. Não necessariamente neste planeta e nesta forma. Talvez nem mesmo neste milênio. Mas nos encontraremos novamente.

sexta-feira

Desejos

Ninguém nunca me disse para ter cuidado com meus desejos. Pelo menos, nunca disseram isso diretamente para mim. Acho que há alguma diferença de quando você ouve um conselho ao acaso e quando ele é dito especificamente a você.

E eu quero fazer a diferença. Por isso, agora, digo para você, leitor: cuidado com o que deseja.

Não por não saber que o quer pode mesmo se realizar e se arrepender eternamente de tê-lo desejado. Não. Isso é a maior bobagem.

O que estou dizendo é para ter cuidado com a intensidade com que se deseja, não se deixar levar completamente. E talvez a parte mais importante desse texto todo: sempre tenha uma válvula de escape, por mais precária que seja.

Como dizem os ditados de tia: quanto maior o pulo, maior a queda. E claro que não estou dizendo que você, leitor, não deve nunca se arriscar. Porque, sério, você seria um bosta se fizesse isso. Só deve pensar bem, calcular a distância e a velocidade do salto necessário para chegar do outro lado do penhasco.

Pois todos já esbarramos, pelo menos uma vez na vida, com o gosto da derrota. Um gosto amargo, enferrujado, do fundo da garganta. E quando esse gosto sobe, meu caro leitor, tudo que poderá fazer será se debulhar em lágrimas e desejar um abraço de sua mãe, lhe dizendo que tudo vai ficar bem. Quando, obviamente, ninguém pode ter tanta certeza disso.

terça-feira

Odeio, odeio, odeio

Te odeio quando estamos juntos. Odeio o jeito como você fala, como você segura os talheres na hora do jantar, como sobe as escadas tão devagar que parece que o mundo entrou em câmera lenta. Odeio seu jeito esnobe, sua arrogância quando prova que estou errada, sua falta de senso crítico. Odeio suas piadas sem graça, as blasfêmias que diz e as merdas que faz. Odeio como me envergonha na frente de sua família, como me humilha no meio da sua roda de amigos, como consegue acabar com o meu bom humor em segundos. Odeio como me chama de gatinha, como me exibe para o mundo como se fosse um troféu, como me faz de sua empregada.

Odeio como você nunca tem tempo para me agradar, como é difícil arrancar um elogio de você, como suas conversas são fúteis. Odeio como nunca quer ficar em casa, como nunca quer ver um filme comigo, como nunca perde uma oportunidade de ficar longe de mim. Odeio tudo isso em você e mais, muito mais. Posso passar o dia listando tudo em você que desperta esse sentimento em mim. Mas sei que, quando finalmente acabar a lista, ao relê-la, vou abrir um sorriso. Porque por mais que eu odeie tudo em você, quando você está longe eu percebo o quanto gosto de você. De um jeito todo errado, mas gosto.

domingo

But that was just a dream, just a dream...

Eu sonhei com você esta noite... de novo. Neste sonho, nós estávamos em um bosque cheio de flores de todas as cores. Simplesmente a coisa mais linda que já tinha visto na vida.

Algumas borboletas salpicavam o ar com suas combinações vibrantes, deixando a paisagem toda muito viva e agradável. Nós estávamos sentados ao pé de uma árvore e seus braços me envolviam de um jeito tão suave que se eu não fosse tão ligada no seu toque poderia até esquecer por breves momentos que você estava ali, comigo.

Respirei fundo, desejando poder gravar o cheiro daquilo tudo em minha mente, porque era simplesmente bom demais para algum dia ser esquecido. Desejei que meus olhos tirassem fotos, para eu poder levar aquela paisagem comigo, não importasse para onde eu estivesse indo.

E, mais que tudo, desejei que tudo fosse a realidade. Em algum momento, me dei conta de que era apenas um sonho e que, quando acordasse, tudo voltaria ao seus eixos, tornando impossível nós dois existirmos ao mesmo tempo. Foi quando aquele sonho virou um pesadelo. O pior de todos.

quinta-feira

Apenas uma garota

"Para quem vê, ela é apenas uma garota com idade mental de cinco anos.

Para quem conhece, ela é apenas uma garota irônica.

Para os poucos que têm a oportunidade de realmente entrar em seu mundo, é apenas uma garota que não é nada que aparenta."

by Jesse

Você fala que está tudo bem. Mas não está.

Eu falo com você e você fala comigo. Eu falo mais ainda com você e você me fala que estou diferente, estranha. Me pergunta o que aconteceu. Eu falo que não aconteceu nada, e continuamos nos falando.

Até que você novamente fala que estou diferente, e me pede para falar o que que é. E eu falo. E você fala comigo, tenta responder de uma forma legal. E então eu falo mais, mas são coisas estranhas demais de serem faladas, coisas que provavelmente você não estava preparado para ouvir porque te falaram que eu não era capaz de me sentir assim.

Então você fala que é melhor deixar quieto e eu falo que tudo bem. Mas no fundo não está tudo bem. Não está tudo bem porque eu não devia ter te falado quando você me pediu para falar. Não devia ter falado porque já era certo que eu ia parecer ridícula e você falaria que estava tudo bem, mas estaria rindo internamente, provavelmente me humilhando.

Então eu te falo que não devia ter falado, porque agora eu não falo mais com você e você não fala mais comigo e ninguém fala nada. E quando fala, é só para dizer tchau. Dizer tchau para no dia seguinte falar oi e tudo ser falado novamente.

E quando nos falamos desse jeito... o vazio das nossas conversas me perturba. Então eu preciso falar isso para alguém. E esse alguém é você. E então sinto vontade de te falar que isso é uma merda, que você não pode ser o único a ouvir o que eu tenho a falar. Mas não falo. Porque se não você falaria para deixar para lá e eu falaria que estava tudo bem. E realmente não estaria tudo bem.

terça-feira

Eu. Você. Nós.

Eu e você. Eu e algo seu. Eu e você ao telefone. Eu e você nos sonhos. Eu e você nas cartas. Eu e você nas telas de cinema. Eu e você nas páginas de um best seller. Eu e você nos comerciais de margarina. Eu e você deitados na grama olhando para as estrelas. Eu e você andando na beira do mar. Eu e você olhando pela janela do carro em uma viajem. Eu e você abrindo a geladeira de madrugada. Eu e você tomando banho de chuva. Eu e você observando os carros passarem em uma avenida movimentada. Eu e você cantando. Eu e você sempre. Só eu e você.

E foi quando percebi que sua opinião pesava mais que a minha própria. Porque, de repente, tudo era eu e você. Tudo éramos nós, e nós éramos tudo. E eu era incapaz de respirar por minha conta, porque você estava ausente. Subitamente, eu comecei a sufocar, porque percebi que você não passava de uma ilusão. Um desejo meu. Algo banal e inexistente. Exatamente como nós éramos. Eu e você.

Motivos

Quem precisa deles? Todo mundo. Todos tem que ter um motivo para alguma coisa. A sociedade critica quem faz algo espontaneamente, julga, chama de impulsivo. Mas não. Quem faz as coisas sem motivo é esperto, uma excessão, alguém cujos pensamentos e ações não são totalmente previsíveis.

Quem faz as coisas sem motivo é retardado, sem noção e idiota. Não. Quem faz as coisas sem motivo é alternativo, fora dos padrões, não-chato.

Quem faz as coisas sem motivo é feliz. Ou pode ser, desde que queira.

E agora? Ainda acha que precisa de motivos para tudo?

segunda-feira

E então, o que acontece?

Você começa a se sentir mal, terrivelmente mal.
E o que mais?
Toda sua tristeza se transforma em raiva.
E o que mais?
Sua raiva transforma-se em lágrimas. Grandes e roliças.
E o que mais?
Você começa a chorar. Você chora de raiva.
Chora quanto?
Chora muito. Chora até sua visão escurecer e você apenas enxergar sua desgraça gravada no interior de suas pálpebras.
E o que mais?
Suas lágrimas secam e você para de chorar, apenas por conta de toda a água de seu corpo ter se esvaído em soluços agoniantes.
E o que mais?
Você se sente terrível novamente.
E o que mais?
Sua raiva volta três vezes maior do que da primeira vez.
E o que mais?
Mais? Você ainda quer mais?
E o que mais?
Mais nada. Você pode chorar, gritar, bater ou espernear, mas isso nunca passará. Sempre estará lá, nos cantos mais escuros, pronto para te atacar quando você menos espera.
E o que mais?
O mundo continua girando, dia após dia, como se nada tivesse acontecido.
E então, o que acontece?
Você morre.

sexta-feira

"Why when we do our darkest dids, do we tell? They burn in our brains, become a living hell. Cause everybody tells..." - Secret, by The Pierces*

Segredos. Esse é um tópico interessante.

Você nunca se perguntou porque todos tem segredos? Nunca quis saber porque fulana não te contou algo? Então... direi algo a vocês:

Todos temos segredos. Sem exceção. É quase humanamente impossível não ter um segredo só seu, que ninguém mais nunca nem sonhou em saber. Até mesmo os mais cara de pau/sem noção tem algo a esconder. E porque?, você deveria estar se perguntando.

Existem vários motivos. Talvez a pessoa se sinta ameaçada por algo que fez, e recusa-se de todo modo a contar para alguém, com medo de que a derrubem por causa disso.
Outras não contam simplesmente porque não conseguem, ou não encontram uma pessoa "ideal" com quem compartilhar seu segredo.

Outras, ainda, ficam de bico calado porque não querem que outros estraguem o que para elas foi tão especial, como uma fantasia louca ou uma lembrança querida.

Seja qual for o motivo, segredos são coisas muito delicadas. E na minha humilde opinião, as pessoas se importam mais do que deveriam com isso. Mas talvez essa seja a graça da coisa: se importar tanto ao ponto de ter medo. Ter medo que alguém descubra, ter medo que alguém espalhe, ter medo que te julguem como algo que você não é. E sem todos esses medos, os segredos não seriam segredos, seriam apenas fatos omitidos, como por exemplo o que eu jantei ontem. Pode ser que ninguém saiba, mas isso nunca foi e nem nunca será um segredo.

*Porque quando realizamos nossos atos mais obscuros, nós contamos? Queimam em nossos cérebros, se tornando um inferno. Porque todos contam...

terça-feira

Devilish smiles

Minha vida era tediosa. Tediosa e chata. Ok, não era tediosa nem chata, mas faltava alguma coisa. Algo que só fui perceber que faltava quando entrou em seu lugar. Porque quando o conheci... o mundo a minha volta ganhou mais vida. De repente, parecia quase insano me sentir entediada e chata. Bom, exceto quando estava sozinha.

Seus sorrisos gentis, sua timidez em excesso, sua educação exagerada... tudo me fisgou rapidamente. Era impossível não ser afetada pelos seus encantos, seu charme, seu perfume. Era quase como um feitiço, que se arrasta por seu corpo, acariciando, enrolando. E, quando você menos espera, te sufoca com sua fumaça turquesa.

Ele era assim. Charmoso e bom quando estava por perto, cruel e maquiavélico a distância. Exatamente como o diabo. E agora o diabo sorria para mim, apenas para mim.

Eu estava abestalhada demais para perceber que seus sorrisos galanteadores, sua sensibilidade e sua compreensão para comigo eram forjadas, tudo parte de seu plano maligno de me derrubar. Me derrubar pelo simples prazer de me ver no chão, humilhada e incapaz de levantar novamente.

E eu só fui perceber isso quando já estava trancada no inferno.

segunda-feira

O Rei não tem orelha

Uma vez, me contaram uma história, a de um Rei que não tinha uma de suas orelhas. Era mais ou menos assim:

"Era uma vez um Rei, que guardava um segredo de todos a sua volta. Isso o torturava. Não pelo fato de guardar um segredo deles em si, mas sim o fato de não poder contar para absolutamente ninguém. Isso arruinaria totalmente sua imagem de Rei, era o que ele pensava.

Todos os dias, ao acordar pela manhã, a primeira coisa que ele fazia era pentear seus cabelos compridos e colocar sua coroa. E não era porque ele tinha um ego gigante que ele fazia isso, veja bem. Mas era para esconder suas orelhas - ou, no caso, apenas uma.

Ele fazia isso há anos, mas sempre esperando que, do nada, surgisse alguém para quem ele pudesse contar isso, alguém que não iria julgá-lo. Mas, claro, naquele reino de pessoas esnobes e hipócritas, nenhuma daquele tipo aparecia. E conforme os anos passavam, a agonia do Rei crescia. Como assim, ele era Rei e não podia ter uma orelha a menos? Ele ficava menos qualificado para o cargo apenas por causa disso?

As pessoas provavelmente achariam que sim, e isso o enlouquecia. Isso o deixava tão chateado que um dia - ou melhor, uma madrugada - ele levantou-se de sua cama e caminhou nas pontas dos pés para fora de seu castelo. Continuou andando sorrateiramente, no escuro, para a área mais deserta de seu reino, onde ele tinha certeza que ninguém o notaria naquela hora da noite.

O Rei então parou. Ajoelhou-se na terra e começou a cavar, cavar e cavar, até ter um buraco relativamente fundo. Abaixando-se ainda mais, gritou para dentro do buraco:

- EU NÃO TENHO ORELHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

E, depois disso, voltou a jogar terra no buraco, tapando-o para sempre. Ao voltar para seu castelo, o Rei se sentia leve e estúpido. Porque nunca tinha feito aquilo antes? O simples fato de haver a possibilidade de alguém no mundo saber que o Rei não tinha orelha... para ele, foi extremamente relaxante. Ele não carregava mais uma mentira sobre si mesmo em seus ombros, porque ele havia falado a verdade para alguém - ou alguma coisa, no caso"

E, ok, talvez seja uma história infantil besta. E talvez a minha versão tenha ficado horrível. Mas... se pararmos para pensar, algumas lições de moral podem ser aprendidas. E preciso dizer que essa história já me ajudou, então... acho que todos deviam dar uma chance a ela, porque é realmente muito boa. E cá entre nós, algumas pessoas realmente precisam seguir o exemplo do Rei.

domingo

Primeiro devaneio

Às vezes, a vida é uma merda. Quem nunca teve um dia de fúria? Aqueles dias em que se tem vontade de quebrar tudo, foder com a vida dos outros, só para ter o prazer de vê-los mais na merda que você.

Bom, isso é mesmo uma coisa horrível. Ou deveria ser. Mas... quem nunca fez isso, ou ao menos pensou em algo desse gênero, não é humano.

Não importa quanto você tente não se importar, uma hora, alguma coisa há de fazer você explodir.

Você pode até mesmo tentar fazer vista grossa sobre tudo, adotar uma atitude totalmente blasé para certas coisas... mas a junção disso tudo seria algo como bombas TNT e um detonador nas mãos de um bebê: a qualquer hora tudo pode voar pelos ares em uma explosão mega trágica.

Ou seja, no fim, todos são apenas idiotas que só fazem coisas idiotas que resultam em coisas mais idiotas ainda. E isso dá raiva. Muita raiva.

Mas talvez, e apenas talvez... seja isso que faça com que os bons momentos sejam realmente bons - o fato de haver uma briga entre duas pessoas às vezes pode tornar a reconciliação melhor. Afinal de contas, brigas geram saudades, e saudades, querendo ou não, geram admiração.

E, cá entre nós, não há nada melhor do que rever uma pessoa muito querida depois de um longo período de espera. Processe-me se eu estiver errada.

PS: momento tenso no post de estreia. Aquela espectativa de "será que alguém vai ler essa porra?" rolando no ar... ai ai, nada como começar algo novo, não é mesmo?