terça-feira

Nostalgia + felicidade = WTF

É possível se sentir feliz e nostálgico ao mesmo tempo? Porque, se for, eu estou totalmente nessa agora.

Feliz por estar nostálgica por ter estado feliz. Faz sentido? Imagino que não muito. Deixe-me explicar melhor...

Sabe quando você está em uma maratona de miséria e então algo muito bom acontece e te deixa irritantemente feliz? Mesmo que apenas por alguns poucos segundos...

Então. Você finalmente encontrou seu lugar, encontrou o lugar aonde ninguém te julga ou critica ou o que quer que seja.

A partir desse ponto você se sente extremamente feliz ou, no mínimo, alegre por ter achado um lugar ao qual você pertence, se encaixa perfeitamente, sem nenhum tipo de rebarba.

Mas a única coisa ruim é que você sabe que isso tem prazo de validade, uma hora previamente estipulada para acabar tudo, para você voltar para a miséria.

Porém, você não quer voltar para a miséria. Você se recusa eternamente a esquecer da felicidade toda que vivenciou ainda há pouco. Daí a nostalgia.

Não sei vocês, mas eu sou do tipo que acredita que nostalgia pode ser sentida a qualquer momento, sobre qualquer coisa, e não precisa necessariamente ser ruim.

segunda-feira

Sem título II

Ela: Nós somos melhores amigos, certo?
Ele: Sim, claro.
Ela: Então seja honesto comigo, de quem você gosta?
Ele: Ninguém. Eu amo alguém.
Ela: Ela é mesmo muito sortuda…
Ele: Definitivamente. Eu a amei desde a primeira vez que a encontrei.
Ela: Serio? Bem, desde que nós somos melhores amigos, eu quero conhece-la. Vá chama-la.
Ele: Tudo bem…
O garoto pega o telefone e disca um número..
Ela: Espere, eu acho que estou recebendo uma chamada.
A garota atende o telefone...
Ela: Alô?
Ele: Eu te amo.

Fonte

quinta-feira

Possibilidades

Talvez eu não queira ser diferente de todos o tempo todo. Talvez eu goste de, às vezes, ter algo em comum com alguém. Talvez eu queira fazer coisas que pessoas ordinárias fazem. Talvez eu queira sentir o que pessoas ordinárias sentem. Talvez eu não queira ser a estranha o tempo todo. Talvez eu só queira me misturar. Talvez eu não queira ser constantemente notada. Talvez eu só queira ser comum por um tempo. Talvez eu só queira me esconder entre os outros, de vez em quando. Talvez eu só queira brincar de ser um camaleão. Talvez eu queira que vocês me deixem fazer tudo isso. Talvez eu queira que vocês me deixem ser tudo isso. Talvez eu só queira parar de me importar. Definitivamente.

quarta-feira

Duas caras

Você disse que eu era sua melhor amiga, uma das pessoas mais importantes para você. Eu acreditei. E eu te disse o mesmo. Você era meu melhor amigo e era uma das pessoas mais importantes para mim.

Nos divertimos loucamente, fazendo de tudo um pouco. Brincadeiras, inocentes e nem tão inocentes assim. Conversas sérias. Papo jogado fora. Ainda que minha vontade fosse te abraçar, deitarmos juntos em minha cama para conversarmos ou simplesmente ficarmos em silêncio juntos. Segurar a sua mão. Engoli todas essas vontades, porque você estava comigo, sempre comigo. E me convenci de que era o suficiente.

Você me fez acreditar que você me amava. Você me fez acreditar que eu era uma pessoa querida. Você me fez acreditar que era feliz. Não sei quando isso mudou. Só sei que, quando olhei de novo, você não estava ao meu lado e eu sentia sua falta. Sentia um vento frio e estranho perto de mim, aonde você costumava ficar quando assistíamos televisão ou víamos vídeos retardados na internet.

De repente, você não estava mais lá e a solidão começou, lentamente. Como um veneno cruel, desativando parte por parte, lentamente corroendo o que restava da sua presença em mim.

Quando estamos só você e eu, você diz que sente a minha falta. Conversa comigo, assite televisão comigo, vê vídeos retardados na internet comigo. Me conta de seu dia. Ainda sinto vontade de te abraçar, deitar com você, segurar a sua mão. Quando estamos só nós dois, você se importa. Ou pelo menos me faz acreditar nisso.

Mas quando estamos em público... você sequer dirige seu olhar em minha direção. E isso machuca. Te procuro. Você olha nos meus olhos através de uma multidão, longe demais para eu poder ouvir as coisas que saem da sua boca. Mas sem dúvida nenhuma elas não são para mim. Não mais. Pelo menos, não em público. Não aonde todos podem ver que você, com todo seu status, realmente gosta de uma garota como eu. Uma derrotada.

terça-feira

Je t'aime

Uma vez me disseram "não se preocupe, vai ficar tudo bem". E eu acreditei. Na época, um alívio me percorreu. Alguém, mais experiente que eu, dizendo que tudo ficaria bem... não tinha como não acreditar, era muito improvável que isso fosse uma mentira.

Hoje em dia, essa frase não funciona mais. Hoje em dia, são apenas palavras vazias, sem nenhum tipo de significado quando colocadas lado a lado em uma frase.

O mesmo acontece com o famoso "eu te amo", dito tantas e tantas vezes sem a certeza sencessária. Não me conformo com a felicidade fingida dessas pessoas quando ouvem essas palavras de plástico.

Não estou dizendo que é errado dizer "não se preocupe, vai ficar tudo bem" ou "eu te amo". Só estou dizendo para você ficar quieto, até ter certeza de que vai ficar tudo bem e de que o que você sente por algo é mesmo amor.

Faça sua boa ação do dia e não iluda as pessoas com quem você convive. Ou seja um completo idiota e iluda mesmo assim. A escolha é sua. E as consequências também.

Ensaio

Sua felicidade me irrita, sua miséria me entristece
Ping-pong emocional
Não sei como reagir, como me sentir
Quando você me mostra os seus sentimentos
Felicidade mútua?
Difícil
Tristeza concomitante?
Várias vezes
Não gosto, mas sou obrigada a conviver
Não me atrapalha, só me deixa confusa
Não era para sermos os melhores amigos do mundo?
Supostamente
Mas, ultimamente, não acredito muito nisso
E desconfio que você também não
E então, como ficamos?
Continuamos fingindo que não sabemos?
Ou, de nós dois, só eu sei?
Talvez
Como faço para saber se você também sabe?
Não gosto de não saber
Me sinto deixada de lado
Não pode, é errado
Eu e você, sempre juntos
Esse é o certo
Sempre juntos, para sempre
Possível, mas improvável
Não posso crer que nosso relacionamento foi feito para durar
Sem esperanças
Sem expectativas
Sem porra nenhuma
Nunca.

segunda-feira

Amor além do tempo

"Corremos um atrás do outro de volta até a casa. Nós... recomeçamos. Na casa toda. Acabamos voltando para as almofadas perto do fogo. O desejo é uma fonte renovável. Não conseguimos dar nem receber o bastante. É um círculo. Não tem fim. Vocês se amam. Dissemos 'eu te amo'. Muitas vezes. Dissemos, cantamos, sussurramos, gritamos. Então um de nós insistiu para calarmos a boca, e calamos. Nós nos comunicamos de outros modos; eu conseguia entender os batimentos cardíacos dele, ler as veias dele como um mapa. E ele os meus. E ele as minhas."

by Nina Malkin em "Swoon - amor além do tempo", pág. 356

domingo

You broke another mirror

Diana se olhava no espelho mas, ao contrário do óbvio, não era o seu reflexo que via. Era de Joe. O reflexo de Joe, o sujeito que a fazia arfar de emoção só ficando parado na frente dela, com as mãos no bolso.

- Miserável - cuspiu, para o espelho.
- Mesmo? Acho que é ao contrário. A miserável aqui é você - rebateu Reflexo-Joe, sorrindo.
- Porque você diria algo assim?
- Vamos lá. Ambos sabemos o que aconteceu. Não adianta se enganar, tentar se livrar dessa culpa.
- Eu...
- Não adianta fazer um milhão de outras boas ações, elas não vão compensar o que você fez.
- Não? - indagou, os olhos começando a ficar úmidos.
- Não - retrucou Reflexo-Joe, seco.

Diana encarou o espelho, observando Reflexo-Joe com certo pesar, como se o tivesse perdido há muito.

- Mas você me perdeu - Reflexo-Joe respondeu seus pensamentos.
- Quando? - indagou Diana. - Quando... exatamente?
- Você sabe - retrucou, um sorriso de escárnio brincando em seus lábios.
- Eu sei?
- Sim. Lá no fundo, você sabe. Só precisa admitir para si mesma. Simples.
- Não é tão simples assim.
- Oh, mas é tão simples assim.

Diana respirou fundo, tentando conter a avalanche de lágrimas e soluços que ela sabia que estava por vir.

Reflexo-Joe mudou, de repente. Se isso fosse possível, sua aura estaria emanando um ar de pena através do espelho que os separava. Seus olhos castanhos, da cor de um tronco de pinheiro, encheram-se de compaixão por aquela figura que um dia partira seu coração.

- Você sabe que eu ainda lhe amo - sussurrou ele, tocando o espelho.

Diana colocou sua mão sobre a dele, fechando os olhos e frustrando-se intensamente quando sentiu o espelho frio debaixo de seus dedos, ao invés do calor familiar da pele bronzeada de Joe.

- Sinto muito - declarou ela, depois de algum tempo. - Sinto muito por ter te decepcionado.

Finalmente abriu os olhos. A única coisa que foi capaz de enchergar antes de debulhar-se em outro rio de lágrimas, foi que Reflexo-Joe não estava mais no espelho. Ele a havia abandonado. Para sempre.

Exatamente como ela tinha feito com ele antes.

sábado

Sem título

Sinto saudades da minha infância, quando minha maior preocupação era se eu conseguiria ir no balanço no intervalo na escola. Mas isso mudou, de um modo muito repentino, e muito cedo. Cedo demais para uma criança.

Amadureci bastante depois disso. Não que eu quisesse, veja bem... fui forçada a isso. E perdi muitas coisas, por ter amadurecido tão de repente, tão cedo. Sou assim até hoje.

As coisas foram se perdendo no espaço a medida que o tempo foi passando. Perdi minhas companhias mais importantes, roupas, brinquedos, animais de estimação. As coisas começaram a ficar mais sérias quando eu perdi a moradia, o bairro, a escola. Perdi amigos, perdi professores, perdi lugares, perdi manias.

Começar tudo de novo... não foi fácil. Às vezes me pego pensando "como estaria eu hoje se nada disso tivesse acontecido?". Dependendo do dia, penso que estou melhor hoje do que estaria se nada tivesse acontecido. Em outros dias, penso que de outro modo tudo teria saido extremamente diferente, melhor.

Porém, o fato é que aconteceu. E sou hoje como sou, por causa de tudo que aconteceu no passado, cada companhia perdida, cada oportunidade desperdiçada.

Saudades? Muita. Gostaria de ter mantido contato com todos os meus colegas "de berço", gostaria de estar ao lado deles até hoje. Como também gostaria de trazer de volta duas pessoas, com uma terceira vindo de brinde.

Essa terceira pessoa... nós tivemos uma boa relação, um dia. Há muito tempo, conversávamos intimamente - bom, tão intimamente quanto duas crianças de seis e nove anos são capazes. Hoje em dia? Mal nos cumprimentamos e, quando isso acontece, são só em festas de família.

Família. Todos são estranhos, para mim. Primos? Pessoas distantes, presenças desfiguradas. Personalidades desconhecidas. Tias, tios? Estranhos, também. E aí só me sobram pai e mãe, para com os quais já dei muita mancada.

No geral, sou só eu. Eu e minha própria companhia, tentando métodos de diversão independentes, que não precisem de mais ninguém. Funcionam? Por um tempo, talvez. Mas logo a coisa perde a graça, e eu só desejo ter alguém. Mesmo que seja para ficar olhando para o teto.

E, é, não um simples alguém, também. Um alguém que me conhece talvez até mais que eu mesma, alguém que saiba conversar comigo, alguém que saiba me apoiar, quando necessário. Alguém que me escute, me leve a sério. Alguém em quem eu confie a minha vida, de olhos fechados, sem hesitar.

Esse alguém ainda não me apareceu. Mas, sabe, cansei de ser só eu mesma, por minha própria conta. Eu uso uma máscara todos os dias, fazendo as pessoas acreditarem que sou completamente auto-suficiente, que, se eu tiver alguém, uau, que bom. Mas, também, se não tiver, que se foda, posso me virar sozinha.

E posso mesmo. Mas não quero. Não quero porque não tem graça, desse jeito. É horrível não ter com quem compartilhar seus medos e segredos, por mais retardados que eles sejam. É simplesmente horrível, ter um pedaço de papel como seu amigo mais íntimo... O único cujo qual ouvirá seus segredos sem te julgar de nenhuma maneira.

Não mereço mais que isso? Às vezes, penso que não. Mas, sinceramente, não sei quais são os motivos para me punirem de tal forma. Não fiz nada tão ruim assim, fiz? Porque, se fiz, preciso saber o que foi. Pelo menos isso.

Penso em sair da cidade, do estado, do país, do continente... mas penso se não me sentiria ainda mais sozinha, sem nada familiar por perto. Mas acontece que, por aqui, o que é familiar já não me satisfaz mais. Não é suficiente para arrancar um sorriso verdadeiro de mim. Não mais.

E eu cansei de sentir pena de mim mesma. Cansei de ficar sozinha o tempo todo. Cansei de admirar - invejar - pessoas que não tem ninguém e são felizes mesmo assim. Cansei de procurar. Cansei de esperar. Cansei de precisar. Cansei de ter uma multidão de desconhecidos a minha volta, rodeada por milhões de pessoas mas, ainda assim, completamente sozinha. Cansei.