Fred encarava aquele quarto sem realmente acreditar em nada do que via.
Ele viu o par de botas jogado de qualquer maneira no chão, uma peça única, preta e Prada, com laços - o par favorito de Rebecca. O sutiã de renda preta se destacava contra o carpete creme, assim como a calcinha pequena, ambos retorcidos, ambos aparentando terem sido tirados às pressas. Perto da janela jazia o sobretudo que ele mesmo comprara para Rebecca. Além das peças familiares, Fred notou, havia também uma boxer branca sobre o criado-mudo na cor tabaco, se destacando de tal jeito que era impossível não perceber sua presença ali. A presença de mais alguém.
Ao olhar para a cama de casal e ver seus lençóis brancos amassados, Fred sentiu vontade. Ele sequer sabia que vontade era essa, ele só queria fazer alguma coisa que não fosse olhar aqueles dois corpos inertes. Rebecca tinha seus cabelos loiros espalhados pelo peito branco do cara que Fred não fazia ideia de quem era. Os dois estavam nus, com o lençol indo até a cintura. Estavam abraçados! Como Fred pediu - implorou! - para Rebecca deixar que ele a abraçasse e ela nunca permitiu.
Os dedos que seguravam a caneca de café quente começaram a tremer, agitando o líquido. Rebecca sempre foi correta demais - até mesmo para deixar as roupas jogadas no chão daquela maneira -, Fred nunca imaginou que ela o trairia. Não daquela maneira tão descarada, não em plena tarde de sexta-feira, não na sua própria cama.
A raiva tomou conta da face sempre calma de Fred e ele não pensou duas vezes antes de jogar a caneca de louça contra o espelho grande ao lado da cama. O casal acordou, num supetão, os dois assustados. Rebecca levou o lençol até o ombro, numa tentativa falha de se proteger. Ela já estava perdida.
Fred encarou os dois. Encarou o espelho quebrado e os cacos da caneca, o café maculando o carpete. Encarou Rebecca, com seus olhos castanhos esbugalhados e o queixo tremendo. Deu alguns passos, até chegar perto da cabeceira da cama. Encarou o outro homem e, fechando o punho direito, desferiu um soco no nariz dele, antes de gritar:
- Ela é minha!
by Drih

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