segunda-feira

Sem título III

Eu não quero precisar de você do jeito como preciso. Isso é ruim, me faz mal. Porque agora, sempre que estou sozinha, sinto medo. Sinto falta de sua presença, mesmo que apenas parte dela. Não quero isso. Quero poder ficar sozinha novamente, quero que volte a ser como era antes, quando ficar sozinha podia ser algo divertido. Só dependia de mim.

Agora... ficar sozinha virou tortura - e rotina. Me sinto pressionada pelo universo a fazer coisas das quais não gosto, só para acabar com a sensação de vazio. Porque isso acontece, afinal? É normal se sentir tão amargurada, tão largada no mundo? É normal sentir como se não houvesse mais de um quarto de dúzia de pessoas no mundo que te amam?

Não sei. E tenho medo de saber, acho. Quer dizer, e se eu descobrir que nada disso é normal, que eu sou mais errada do que jamais imaginei ser possível? Me chamem de dramática, mas se sentir como merda 24 horas por dia não é exatamente agradável.

É meio humilhante escrever isso aqui agora e sempre foi humilhante pensar nisso antes. E, claro, sempre será humilhante pensar nisso depois, porque sei que vou pensar nisso depois.

Enfim. É humilhante porque me faz parecer fraca, como se eu não pudesse dar conta de certas coisas. E, acredite, para uma pessoa tão orgulhosa quanto eu, isso pode ser um empecilho e tanto. Então eu tento. Tento deixar quieto, ficar de bom humor, fazer coisas legais, falar com pessoas. Tento esquecer, mudar, não deixar isso me abater.

Mas ultimamente todos os meus esforços parecem se tornar inúteis a partir do momento que saem da minha mente, para ser algo concreto. E ai eu me pego sendo repetida, redundante, escrevendo vezes e mais vezes sobre a mesma droga de assunto. Passo dias e mais dias na frente da tela do computador, lendo frases depressivas, ouvindo músicas miseráveis, me sentindo a ponto de explodir em um milhão de lágrimas com filmes de comédia.

Como isso é possível? Quero dizer... não é como se eu fosse uma pobrezinha dos infernos, que não tem nada. Eu tenho. E reconheço isso. Mas não é suficiente. Talvez não seja suficiente porque o que eu esteja procurando não é necessariamente material. Não pode ser tocado, não pode ser visto, pode apenas ser sentido. Mas em uma pessoa como eu, tecnicamente classificada como desgraçada-insensível-do-coração-peludo, é basicamente impossível encontrar coisas apenas sentindo-as.

Certo?

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