Você começa a se sentir mal, terrivelmente mal.
E o que mais?
Toda sua tristeza se transforma em raiva.
E o que mais?
Sua raiva transforma-se em lágrimas. Grandes e roliças.
E o que mais?
Você começa a chorar. Você chora de raiva.
Chora quanto?
Chora muito. Chora até sua visão escurecer e você apenas enxergar sua desgraça gravada no interior de suas pálpebras.
E o que mais?
Suas lágrimas secam e você para de chorar, apenas por conta de toda a água de seu corpo ter se esvaído em soluços agoniantes.
E o que mais?
Você se sente terrível novamente.
E o que mais?
Sua raiva volta três vezes maior do que da primeira vez.
E o que mais?
Mais? Você ainda quer mais?
E o que mais?
Mais nada. Você pode chorar, gritar, bater ou espernear, mas isso nunca passará. Sempre estará lá, nos cantos mais escuros, pronto para te atacar quando você menos espera.
E o que mais?
O mundo continua girando, dia após dia, como se nada tivesse acontecido.
E então, o que acontece?
Você morre.

2 comentários:
Não sei se era seu intuito, mas esse é um tipo de texto que, ao meu ver, permite várias interpretações. Li a primeira vez, pensei em um romance terminado. Li a segunda, me pareceu algo mais forte. Na terceira, outra coisa completamente diferente.
De algum jeito, me fez refletir sobre como o nosso mundo particular muda, e "O mundo continua girando, dia após dia, como se nada tivesse acontecido".
Você escreve muito bem, Kim. Parabéns!
Bem, obrigada, Drih. É bom saber que consegui alcançar meus objetivos com esse texto, mesmo que eu seja uma escritora super amadora e basicamente não saiba nada com nada.
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