sexta-feira

Desejos

Ninguém nunca me disse para ter cuidado com meus desejos. Pelo menos, nunca disseram isso diretamente para mim. Acho que há alguma diferença de quando você ouve um conselho ao acaso e quando ele é dito especificamente a você.

E eu quero fazer a diferença. Por isso, agora, digo para você, leitor: cuidado com o que deseja.

Não por não saber que o quer pode mesmo se realizar e se arrepender eternamente de tê-lo desejado. Não. Isso é a maior bobagem.

O que estou dizendo é para ter cuidado com a intensidade com que se deseja, não se deixar levar completamente. E talvez a parte mais importante desse texto todo: sempre tenha uma válvula de escape, por mais precária que seja.

Como dizem os ditados de tia: quanto maior o pulo, maior a queda. E claro que não estou dizendo que você, leitor, não deve nunca se arriscar. Porque, sério, você seria um bosta se fizesse isso. Só deve pensar bem, calcular a distância e a velocidade do salto necessário para chegar do outro lado do penhasco.

Pois todos já esbarramos, pelo menos uma vez na vida, com o gosto da derrota. Um gosto amargo, enferrujado, do fundo da garganta. E quando esse gosto sobe, meu caro leitor, tudo que poderá fazer será se debulhar em lágrimas e desejar um abraço de sua mãe, lhe dizendo que tudo vai ficar bem. Quando, obviamente, ninguém pode ter tanta certeza disso.

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