Você disse que eu era sua melhor amiga, uma das pessoas mais importantes para você. Eu acreditei. E eu te disse o mesmo. Você era meu melhor amigo e era uma das pessoas mais importantes para mim.
Nos divertimos loucamente, fazendo de tudo um pouco. Brincadeiras, inocentes e nem tão inocentes assim. Conversas sérias. Papo jogado fora. Ainda que minha vontade fosse te abraçar, deitarmos juntos em minha cama para conversarmos ou simplesmente ficarmos em silêncio juntos. Segurar a sua mão. Engoli todas essas vontades, porque você estava comigo, sempre comigo. E me convenci de que era o suficiente.
Você me fez acreditar que você me amava. Você me fez acreditar que eu era uma pessoa querida. Você me fez acreditar que era feliz. Não sei quando isso mudou. Só sei que, quando olhei de novo, você não estava ao meu lado e eu sentia sua falta. Sentia um vento frio e estranho perto de mim, aonde você costumava ficar quando assistíamos televisão ou víamos vídeos retardados na internet.
De repente, você não estava mais lá e a solidão começou, lentamente. Como um veneno cruel, desativando parte por parte, lentamente corroendo o que restava da sua presença em mim.
Quando estamos só você e eu, você diz que sente a minha falta. Conversa comigo, assite televisão comigo, vê vídeos retardados na internet comigo. Me conta de seu dia. Ainda sinto vontade de te abraçar, deitar com você, segurar a sua mão. Quando estamos só nós dois, você se importa. Ou pelo menos me faz acreditar nisso.
Mas quando estamos em público... você sequer dirige seu olhar em minha direção. E isso machuca. Te procuro. Você olha nos meus olhos através de uma multidão, longe demais para eu poder ouvir as coisas que saem da sua boca. Mas sem dúvida nenhuma elas não são para mim. Não mais. Pelo menos, não em público. Não aonde todos podem ver que você, com todo seu status, realmente gosta de uma garota como eu. Uma derrotada.

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