quinta-feira

Parte Três

A moeda finalmente parou de girar e caiu com um barulho oco no fundo de seu crânio. Obviamente, a moeda caiu com a cara voltada para cima. Ele não chegou de fato a notar, mas quem controlava cada giro da moeda era ele.

imediatamente ele se pôs a andar mais rápido, tentando a todo o custo não fazer absolutamente nenhum ruído, para não chamar a atenção da garota até que fosse estritamente necessário.

Mas o que ele não sabia era que sua preocupação era totalmente dispensável. Não era como se, ao vê-lo seguindo-a, ela faria algo. Quero dizer, ela não podia fazer alguma coisa, podia? Isso era algo que nem ela poderia saber.

Quase como se ela fosse uma marionete, algo maior que ela a forçou a parar subitamente, surpresa consigo mesma de porque, exatamente, parara de caminhar antes de chegar ao seu destino final, como sempre fazia.

Destino. Estava aí uma palavra que a fazia se sentir estranha. Era quase como se uma memória muito antiga tentasse emergir, mas não era capaz de flutuar até a superfície de sua mente. Déjà-vu. Ela se lembrava de uma vez terem dito a ela que essa palavra traduzia essa sensação, de uma familiaridade estranha. E, por mais que ela se esforçasse, não conseguia formar uma imagen para tal sensação, não conseguia tirar algum sentido da cosia toda.

Mas foi só ela se virar que de repente tudo pareceu certo, nos eixos novamente. De repente, ela não se sentia mais tão louca por andar todo dia de manhã na praia, porque acabara de achar o que estava procurando, mesmo que antes de ver a coisa ela ainda não se achava louca e nem sabia que estava de fato procurando algo. É aquele tipo de coisa que você só nota quando já acabou.

E qual era a coisa que ela estava procurando, afinal?, você deve estar querendo perguntar. E, caso ainda não tenha ficado óbvio, eu tenho o prazer de dizer a resposta. A coisa que ela estava procurando era ele. E, finalmente, ela o encontrou.

Ele parecia em choque, mas ela sorriu para ele, sem conseguir se conter. Aos poucos, a expressão tensa dele foi se desfazendo, relaxando-se em um lindo sorriso torto e tímido. Ela derreteu por dentro. E ele também. De repente, ela sabia. Sabia que era aquilo que ela precisava. Sabia que era aquilo que ela precisava para se sentir viva novamente.

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