A garota, entretanto, não pareceu perceber que havia alguém seguindo seus passos. Sorriu quando algumas gaivotas passaram pelo horizonte, desejando ser tão livre quanto eles pareciam ser.
O que ela não sabia, é claro, é que ela já era. E, aparentemente, quem estava incumbido de mostrá-la este fato, era ele. Ele, cujo nome nunca me foi revelado. Ou, melhor, foi, mas não sinto a necessidade de compartilhá-lo com vocês. Afinal, como um bom amigo meu uma vez me disse, nomes não são importantes.
Ele debatia consigo mesmo, sem conseguir se decidir se apressava-se mais para falar com a garota ou se continuava no mesmo ritmo, para não ser descoberto.
Por alguns minutos conflitantes, ele não conseguiu se decidir, apenas deixando-se levar e continuando a seguir a garota, sem nunca perder de vista a areia sob seus pés, que deixavam apenas uma trilha de pegadas, quando na verdade duas pessoas estava caminhando.
Ele estava ficando com medo. Com medo de que, considerando que a cada segundo que se passava, ficava mais e mais tarde naquela manhã de quinta feira. O dia estava se tornando cada vez mais perigoso, pois a qualquer momento as pessoas que saem de casa cedo hão de notar que aquela linda garota a caminhar na praia... não era exatamente uma garota.
Exatamente isso. Como, pensariam eles, ela pode ser uma garota normal se ela não deixa pegadas na areia? As pessoas que vissem isso poderiam ser separadas em dois grupos deiferentes, baseados em suas reações:
Grupo A: dos estressados e mentalmente fatigados, que pensariam que aquelas xícaras e mais xícaras de café drenadas ao longo do dia não estava cumprindo direto seu propósito de manter o sono longe. Eles pensariam que suas mentes estariam pregando peças em seus olhos, mostrando - ou, no caso, ocultando - coisas que eram impossíveis de serem vistas - ou, no caso, não serem vistas.
Grupo B: formado pelos racionais-porém-não-tão-racionais-assim, que logo inventariam uma explicação absurda para um fato absurdo.
Quando ele separou algumas pessoas imaginárias em tais grupos, foi quase como se uma moeda aparecesse do nada dentro de seu crânio. Se desse cara, ele se aproximaria da garota e a protegeria dos dois grupos de pessoas, de algum modo.
Se desse coroa... bom, ele tecnicamente ficaria exatamente aonde estava, seguindo-a a distância. Mas ele sabia que isso seria impossível, simplesmente ficar parado, de longe, caso alguém a notasse e ameaçasse fazer algo a ela. Ele simplesmente partiria para cima da pessoa, defendendo a garota sem pegadas com unhas e dentes, mesmo ela sendo uma total desconhecida.
Uma agonia momentânea sugou todos seus instintos e pensamentos quando a moeda girava cada vez mais rápido, agora em queda livre em direção ao fundo de seu crânio, que era o limite. A moeda cairia ali e mostraria a resposta a ele, mostraria o caminho que ele deveria seguir. Porque, claro, a moeda não poderia ficar caindo para sempre. Isso o deixaria completamente louco, ele tinha certeza.
E foi pensando nisso que ele descobriu seu destino. A moeda parou de rodar com um baque surdo, quase como se o interior da cabeça dele fosse feito de veludo negro. Uma luz vinda sabe-se lá de onde brilhava em cima da moeda de prata, mostrando sua resposta. E ele... bom, ele logo seguiu as instruções da moeda.

1 comentários:
Muito Lindo!
Você escreve muito bem!
Bjs
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